Final na Austrália opõe Djokovic atrás do 9º título a Medvedev imparável
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Chegar à final do Australian Open está longe de ser novidade para o sérvio Novak Djokovic, 33. A decisão de domingo (21), às 5h30 (com transmissão da ESPN), será a nona do número 1 do mundo em Melbourne, e ele venceu todas as oito que disputou até hoje. Já para o seu adversário, Daniil Medvedev, 25, o cenário é bem…

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Chegar à final do Australian Open está longe de ser novidade para o sérvio Novak Djokovic, 33. A decisão de domingo (21), às 5h30 (com transmissão da ESPN), será a nona do número 1 do mundo em Melbourne, e ele venceu todas as oito que disputou até hoje.
Já para o seu adversário, Daniil Medvedev, 25, o cenário é bem diferente. Quarto colocado do ranking, o russo fará a segunda final de Grand Slam da carreira, a primeira na Austrália, em busca de um título inédito nos maiores palcos do tênis.
O sérvio possui 17 troféus em Slams e tenta se aproximar dos 20 de Roger Federer e Rafael Nadal.
Embora os currículos sejam incomparáveis, Medvedev também têm números para ostentar. O russo, vice-campeão do US Open em 2019 após perder jogo de cinco sets para Nadal, acumula 20 vitórias consecutivas desde novembro do ano passado, período em que obteve três títulos: Masters 1.000 de Paris, ATP Finals, conquista mais expressiva da carreira, e ATP Cup (representando a Rússia).
No Finals de 2020, ele derrotou Djokovic, Nadal e Dominic Thiem, os três primeiros colocados do ranking. Dos 20 triunfos em sequência, 12 foram contra atletas que estão no top 10.
“Quando você vence todo mundo é ótimo, porque acho que as pessoas começam a ficar um pouco com medo de você”, disse Medvedev. “Ao mesmo tempo, às vezes alguns vão querer vencê-lo ainda mais.”
Nesta sexta (19), ele coroou a campanha rumo à final com uma vitória contundente sobre o grego Stefanos Tsitsipas, que havia virado seu jogo na fase anterior contra Nadal. Esperava-se um duelo equilibrado, mas o russo não deu chances e fechou em 3 sets a 0.
Foi o mesmo placar de outras quatro partidas suas na competição. Ele só perdeu sets na terceira rodada, contra Filip Krajinovic, quando abriu 2 a 0, sofreu o empate e se recuperou para fechar o confronto com 6 games a 0 na quinta parcial. Uma oscilação que ele não poderá pensar em repetir diante de Djokovic no domingo.
Mas Medvedev, que já protagonizou ataques de fúria e algumas cenas de mau comportamento em quadra ao longo dos anos, tem se mostrado mais focado. Assim permite que seu talento se sobressaia e por vezes assombre.
O atleta esguio de 1,98 m de altura pode ganhar pontos de todos os jeitos: com saques e golpes poderosos, deixadas improváveis, efeitos tirados da cartola ou ainda por sua capacidade de sustentar longas trocas de bola. O repertório é vasto, e se ele estiver num bom dia saberá utilizar esse arsenal da forma mais inteligente.
Um exemplo: diante de Tsitsipas, Medvedev quebrou o saque do grego pela última vez na partida depois de atravessar rapidamente toda a linha de base, no fundo da quadra, alcançar uma bola rente ao chão e devolver com uma passada de backhand na paralela que deixou o grego paralisado junto à rede. Para muitos, foi o ponto do campeonato.
O ex-tenista americano John McEnroe já o chamou de mestre de xadrez. No circuito os colegas recorrem ao mundo animal em busca de comparações para seu estilo de jogo. Polvo e aranha já foram citados.
Djokovic, que lidera o confronto direto em 4 a 3, sabe que não deverá ter vida fácil neste domingo. “Daniil Medvedev é o cara a ser batido”, afirmou o sérvio após avançar para a final.
Seu caminho até a decisão foi complicado, principalmente na terceira rodada, quando precisou do quinto set para bater o americano Taylor Fritz após sentir dores abdominais. Ele só venceu em sets diretos na estreia e contra o azarão russo Aslan Karatsev, nas semifinais. Por outro lado, não voltou a sofrer grandes sustos e demonstrou estar menos incomodado com a lesão.
A verdade é que ninguém quer entrar com o rótulo de favorito para a decisão, que poderá ter presença de público (cerca de 7.500 pessoas) na Rod Laver Arena. O torneio começou com liberação de torcida, a restringiu após Melbourne entrar em lockdown e voltou a admitir os fãs na quinta (18).
“Eu sou o desafiante, aquele que desafia o cara que esteve oito vezes na final e venceu oito vezes. Estou feliz com isso”, disse Medvedev.
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