Futebol arte, alegria e morte
A Segunda Guerra Mundial (1939-45) fez com que as Copas de 1942 e 1946 não pudessem ser realizadas, fato que não impediu uma das passagens mais épicas e nefastas do futebol mundial. O principal time da Ucrânia (incorporada à URSS) era o Dínamo de Kiev, formado por funcionários de uma padaria. Em 1942, para conquistar […]

A Segunda Guerra Mundial (1939-45) fez com que as Copas de 1942 e 1946 não pudessem ser realizadas, fato que não impediu uma das passagens mais épicas e nefastas do futebol mundial. O principal time da Ucrânia (incorporada à URSS) era o Dínamo de Kiev, formado por funcionários de uma padaria. Em 1942, para conquistar a empatia dos soviéticos, os invasores nazistas permitiram que um campeonato fosse realizado na Ucrânia.
Para a população, vitimada pela fome e pela ocupação militar, uma partida de futebol seria diversão garantida. E o Dínamo, depois de vencer todas as partidas, goleou o PGS, time da unidade militar alemã, e atropelou o Flakelf, da força aérea nazista. Os homens de Hitler não podiam acreditar. Como um time formado por subnutridos, considerados “sub-raça”, pôde vencer a soberania ariana?
Inconformados, marcaram uma revanche, com o estádio Zenit lotado. Antes da partida, os atletas ucranianos foram instruídos a cumprimentar os adversários com a saudação nazista “Heil Hitler!”. Em ato de rebeldia, no entanto, os ucranianos gritaram “Fizsculthura!”, mistura de fitzcultura (“cultura física”) e hurrah (“vida longa ao esporte”). Apesar do árbitro roubar o jogo inteiro a favor dos nazistas, o Dínamo venceu novamente o Flakelf, por 5×3. Para os vencedores do leste-europeu, mais do que um jogo, a partida representou um grande ato de resistência e os jogadores do Dinamo se tornaram heróis nacionais.
Dias depois, na padaria onde trabalhavam, os jogadores do Dinamo foram presos pela Gestapo. O pretexto foi de que todos faziam parte da NKVD, uma milícia soviética secreta, de que pouco se tinha notícia. Levados para interrogatório, foram torturados e quatro deles acabaram mortos. Entre os que sobreviveram, todos tiveram que abandonar o esporte.
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