José Loreto conta como encontrou seu José Aldo e ganha elogios do lutador

‘Mais Forte Que o Mundo – A História de José Aldo’ traz elogiadas cenas de ação

Escrito por: Luiz Carlos Merten5 min de leitura
fundo_placeholder-023136

'Mais Forte Que o Mundo - A História de José Aldo' com José Loreto e Cléo Pires (Divulgação)

José Loreto anda na cola de Malvino Salvador. Interpreta o irmão do ator na nova novela das 7, Haja Coração, e Malvino faz par com Cléo Pires, que é a mulher de Loreto em Mais Forte Que o Mundo – A História de José Aldo. E, para incrementar ainda mais, Malvino havia sido a primeira escolha dos produtores para fazer o campeão de MMA e UFC no filme que estreia na quinta, 16. Não apenas Loreto sonhava com o papel desde que soube que haveria a cinebiografia como o próprio diretor Afonso Poyart também o via como José Aldo. O que é do homem o Diabo não come. Malvino partiu para outro compromisso e Zé Loreto aterrissou na pele de Zé Aldo.

Prepare-se – Loreto é tão intenso que depois de ver o filme você vai achar que ele nasceu para ser Zé Aldo. O filme tem recebido elogios como o do diretor Fernando Meirelles. Vale lembrar – quando se conheceram em Hollywood, Steven Spielberg (Spielberg!) revelou-se o maior fã de City of God/Cidade de Deus e foi logo fazendo a Meirelles a pergunta que não queria calar. Como ele filmou a perseguição à galinha? Foi o tipo da solução cênica improvisada por Meirelles com seu diretor de fotografia, César Charlone. A câmera foi colocada num cabo de vassoura e o cameraman ia enxotando a galinha. Spielberg (quase) não acreditou. Disse que em Hollywood só aquilo custaria milhões (de dólares).

Quem não tem muito dinheiro, tem de inventar. Meirelles tem elogiado as cenas de ação de Mais Forte Que o Mundo – A História de José Aldo. Palavras dele – “Uma boa cena de ação tem que combinar um bom roteiro da sequência, isso é, saber quem bate e quem apanha a cada momento. Precisa de boa coreografia para pensar como se bate e como se apanha. Boa interpretação e boa decupagem para que as porradas pareçam reais e doloridas. Fora isso, montagem precisa e efeitos sonoros. O Afonso combina todos estes elementos como um maestro. Há uma cena de briga num bar incrível. Vale ver. E Zé Aldo? Na pré-estreia paulistana de Mais Forte Que o Mundo, ele soltou o verbo – “Fiquei muito emocionado de ver um filme sobre a minha história. É um trabalho excelente feito pelo Afonso e eu só tenho que agradecer a ele e ao elenco. Acho que ficou uma história bem real. Fiquei feliz com a atuação do José Loreto, que se esforçou bastante, deu seu máximo e com certeza me senti muito bem representado. Nós convivemos durante dois anos, vimos o filme sair juntos, ele treinou na academia comigo, viajamos juntos. Foi um grande irmão que eu recebi na vida.”

'Mais Forte Que o Mundo - A História de José Aldo' com José Loreto e Cléo Pires (Divulgação)

Na entrevista que deu ao jornal O Estado de S. Paulo, Poyart já havia dito, o que pode até parecer arrogante, mas não é. “Podem dizer o que quiserem dos meus filmes, mas uma coisa eu sei – sou bom de ação. Essas cenas exigem preparação, minúcia. A gente tem de filmar sabendo onde cada peça se encaixa, e isso eu não só sei fazer como gosto de fazer.” Loreto conta que Aldo (o filme) tomou um ano de sua vida. “Foram sete meses de muita preparação física. Sempre pratiquei esporte, lutava, mas aqui foi outra coisa. Ganhei massa muscular, fiquei sarado e até era capaz de encarar umas lutas.” A preparação física exigiu empenho, dedicação. Mas havia o outro problema. Chamada a preparar o elenco de Aldo, Fátima Toledo disse ao diretor – “Ele (Loreto) é muito bonzinho.” E o desafio proposto pelo roteiro do filme era fazer com Loreto expressasse a raiva, o ódio que queima Zé Aldo

Família pobre, pai violento que bate na mãe. Loreto precisou encontrar esse Aldo brutal dentro dele. Ouvia do próprio lutador – “Tem de ser marrento.” O elogio de Zé Aldo cala fundo – “Todas as cenas com o meu pai trouxeram uma emoção muito grande, tudo o que fiz, que passei e o que tentei ser na minha vida foi graças a ele. Falar no meu pai, lembrar tudo o que a gente viveu junto e ver isso no cinema foi uma emoção muito grande.” Assim como tem cenas brutais, Mais Forte Que o Mundo tem a da declaração de amor e do pedido de casamento, coreografada como uma luta entre Loreto e Cléo Pires. O resultado é ótimo (e outra prova de que o cinema brasileiro aprendeu a fazer biografias). Exibe a sensibilidade à flor da pele de Loreto. Bem-casado (com a deusa Débora Nascimento), ele ama o trabalho, mas não é de ferro. A nova vida do lar, um bom filme, uma boa peça. A vida anda boa para Zé Loreto. Uma recomendação para seus fãs? “Além do Aldo? Vejam O Bonde Chamado Desejo.” A versão de quem? “A do Du Moscovis. Ainda não vi a com Juliano Cazarré, mas quero muito ver. Deve ser ótima, também.”

Publicado em: