Masp recebe obra de Djanira de colecionador paulista
A coleção do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp) acaba de ganhar sua primeira obra da pintora carioca Djanira (1914-1979), uma lacuna em seu acervo. A tela “Vendedora de Flores”, pintada pela artista em 1947, foi doada pelo colecionador paulista Orandi Momesso, proprietário de uma das melhores coleções de Volpi. A doação foi…

A coleção do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp) acaba de ganhar sua primeira obra da pintora carioca Djanira (1914-1979), uma lacuna em seu acervo. A tela “Vendedora de Flores”, pintada pela artista em 1947, foi doada pelo colecionador paulista Orandi Momesso, proprietário de uma das melhores coleções de Volpi. A doação foi feita pessoalmente ao presidente do Masp, Heitor Martins, durante a SP-Arte, que terminou domingo. Trata-se de uma pintura alegórica, feita dois anos depois de sua viagem a Nova York (1945), onde conheceu a obra de pintores modernos como Chagall. A exemplo do surrealista russo, ela recorre a figuras do mundo sobrenatural, como anjos, que descem ao cotidiano ordinário, transformando a realidade de uma florista.
O quadro é ainda mais raro por marcar uma mudança de rota na pintura de Djanira que, nos anos 1940, recorria a tons rebaixados. A “Vendedora de Flores” anuncia o cromatismo mais leve e vibrante da década seguinte. Dos anos 1940 o Masp também recebeu como doação um trabalho do pintor baiano (de origem argentina) Carybé (1911-1997), conhecido como ilustrador dos livros de Jorge Amado e García Márquez.
Ainda durante a feira, o museu ganhou da Fundação Edson Queiroz, de Fortaleza, uma gravura de Goeldi e uma pintura da mineira Maria Auxiliadora, que viveu pouco (1935-1974) e está sendo redescoberta por colecionadores, incentivados pela Galeria Estação. A tela, “O Velório da Noiva”, foi pintada pouco antes da morte da artista, que, vítima de uma doença incurável, projetava na pintura seu drama individual. O Masp ainda recebeu a doação de quatro fotos da época do Foto Cine Clube Bandeirantes, dos anos 1950, quando os pioneiros da fotografia abstrata no Brasil (Geraldo de Barros e outros) iniciavam suas experiências.
O presidente do Masp espera que essas doações possam incentivar outros colecionadores a seguir o exemplo de Momesso e Ayrton Queiroz. “O museu ainda tem lacunas, inclusive entre os modernistas, como Tarsila, representada apenas por obras em papel, e Ismael Nery.” As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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