Morre técnico do acesso do São José ao Brasileirão 90
Profissional renomado e de grandes times, também pssou pelo Taubaté


O técnico Paulo Emílio divulgando o seu livro
(Foto: www.terceirotempo.com)
O técnico do acesso do São José ao Brasileirão 90, Paulo Emílio, morreu na noite desta segunda-feira, aos 80 anos. Com passagens por grandes clubes, ele já havia trabalhado antes na região, dirigindo o Taubaté em duas oportunidades, em 82 e 88. Residindo em São José dos Campos, será sepultado na tarde desta terça-feira. Ele lutava contra um linfoma desde novembro do ano passado.
Mineiro de Espera Feliz, foi no Rio de Janeiro que surgiu para o futebol como zagueiro do Bonsucesso. No entanto, considerou que era melhor estudar e voltar como técnico. Em 1962 e com 26 anos, começou na Portuguesa.
Como treinador, projetou-se no Campeonato Brasileiro de 1973, levando o pernambucano Santa Cruz às semifinais. E depois de passagens por Bahia e Remo, chegou ao Fluminense, em 75, na época da “Máquina Tricolor”, de Rivelino e outros grandes jogadores da época.
No São José, Paulo Emílio nem precisou de um campeonato inteiro para entrar na história do clube. Em 89, com ele, o time foi vice-campeão brasileiro da Série B e subiu ao Brasileirão 90, junto com o campeão Bragantino.
Quando o Brasileiro da Série B começou no dia 9 de setembro e com 96 times divididos em 16 grupos de seis, o técnico do São José ainda era o também falecido Ademir Mello. Vinha de um vice-campeonato no Paulistão 89 de uma excursão invicta na Espanha.
Sem alguns jogadores importantes, porque a excelente campanha no Paulistão provocou o assédio de clubes grandes, Ademir Mello sentiu o desgaste. E mesmo depois de duas vitórias e dois empates, pediu demissão logo após uma derrota em casa para o Bragantino, por 1 a 0.
O diretor Diede Lameiro, o responsável pelo futebol da diretoria do falecido presidente Pedro Yves Simão, incialmente deixou o preparador físico Paulo Roberto Coutinho como técnico interino. Em duas partidas, uma derrota fora e um empate em casa.
Considerando que o momento exigia um técnico experiente, Diede Lameiro contratou Paulo Emílio. E o novo treinador, com um elenco de atacantes que não conseguiam deslanchar e fazer gols, conseguiu montar um esquema eficiente e de acordo com as peças disponíveis.
A campanha
Nas três últimas rodadas do grupo, o São José terminou perdendo fora de casa para o líder Bragantino, por 2 a 1. Mas, favorecido por tropeços dos concorrentes, ganhou a segunda vaga na frente do Grêmio Novorizontino, do Volta Redonda, do Santo André e do mineiro Esportivo de Passos.
Nos mata-matas, o São José começou contra o Botafogo de Ribeirão Preto, vencendo em casa, por 1 a 0 e empatando fora, por 0 a 0. O segundo jogo acabou sendo a despedida do renomado Sócrates, que queria levar o seu time de origem à elite nacional.
O segundo mata-mata teve outro adversário paulista. Em casa, o São José empatou por 0 a 0 com o XV de Piracicaba. Depois, ao empatar por 1 a 1 como visitante, fez a diferença por causa do gol marcado fora de casa.
Nas quartas de final, o mata-mata foi com o gaúcho Juventude e novamente começou com um 0 a 0 no jogo de ida, no Martins Pereira. Depois, em Caxias do Sul, outro 0 a 0 provocou decisão por pênaltis e os joseenses ganharam por 6 a 5.
Na semifinal e já valendo uma das duas vagas de acesso à Série A, o São José recebeu a baiana Catuense e venceu por 1 a 0. Em Alagoinhas, levou um gol nos acréscimo do primeiro tempo, empatou na metade do segundo e placar de 1 a 1, além da vaga no Brasileirão 90, classificou o time para a decisão do título.
As finais festivas marcaram um reencontro com o Bragantino, que nas semifinais subiu superando o paraense Remo. O São José perdeu em casa, por 1 a 0 e também em Bragança Paulista, de virada, por 2 a 1.
Para a temporada 90, Paulo Emílio acertou o retorno ao Fluminense e o São José teve a volta de Emerson Leão.
Obra
No livro “Futebol dos Alicerces ao Telhado”, Paulo Emílio destaca treinamentos e táticas de futebol. O São José tem um capítulo próprio. Afinal, as descidas do lateral-esquerdo Joãozinho e a imposição no jogo aéreo do zagueiro Leandro compensavam a escassez de gols dos atacantes.
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