Mostra no Rio celebra a obra de Frank Sinatra no cinema
Conta a lenda que a história que abre “O Poderoso Chefão” é real. O cantor Johnny vai pedir ajuda ao ‘padrinho’, porque tem um produtor que está atravancando sua carreira. E chora. Marlon Brando lhe diz que pare de agir como mulherzinha, que pare de chorar e vá lá cantar no casamento de sua filha que ele se ocupa do caso. O produtor acorda de…

Conta a lenda que a história que abre “O Poderoso Chefão” é real. O cantor Johnny vai pedir ajuda ao ‘padrinho’, porque tem um produtor que está atravancando sua carreira. E chora. Marlon Brando lhe diz que pare de agir como mulherzinha, que pare de chorar e vá lá cantar no casamento de sua filha que ele se ocupa do caso. O produtor acorda de noite ensaguentado e descobre, com horror, entre os lençóis, a cabeça de seu cavalo puro-sangue. O caso teria ocorrido com Frank Sinatra. No começo dos anos 1950, já famoso como cantor, a carreira de ator não decolava em Hollywood. De ascendência italiana, Francis Albert teria recorrido aos amigos mafiosos. Em 1953, ganhou o Oscar de coadjuvante pelo papel em “A Um Passo da Eternidade”, de Fred Zinnemann. E virou o mito que todo mundo sabe.
Cantor, ator. The Voice, Blue Eyes. Os apelidos são todos conhecidos. Francis Albert Sinatra, ou Frank Sinatra, começou como cronista esportivo, na rádio. Virou cantor/crooner nas orquestras de Harry James e Tommy Dorsey. Estreou em Hollywood em 1941 e logo estava sendo considerado rival de Bing Crosby. Mas não foi longe e, após a guerra, percebeu que precisava se reinventar. Desenvolveu um estilo mais ‘cool’ de cantar, investiu na carreira de ator dramática. Patinou um pouco, a coisa parece que não ia. Mas aí o Oscar mudou tudo. Sinatra, apesar das supostas ligações com a Máfia, começou a estrelar filmes importantes, formou uma confraria de amigos (Dean Martin, Sammy Davis Jr., Peter Lawford), frequentou presidentes (John Kennedy).
Tornou-se porta-voz de liberais e progressistas, a ponto de certa vez ter brigado a socos com o lendário John Wayne em defesa de um roteirista que havia entrado para a lista negra do macarthismo. No MAM, o Museu de Arte Moderna, do Rio, uma programação especial está lembrando o centenário de Sinatra. Bem poderia vir para São Paulo. Sinatra nasceu em 12 de dezembro de 1915, morreu em 14 de março de 1998, aos 82 anos. A homenagem do MAM começou dia 18 e segue até 6 de setembro. Exibe 30 filmes, mais exposição. Além de pequenas estátuas do astro, fotos autografadas, cartas e pôsteres, terá uma verdadeira relíquia – cópias, no plural, do ingresso do show que Sinatra fez no Maracanã, em janeiro de 1980, e que foi recorde na época. Cerca de 170 mil fãs pagaram para ver ‘Olhos Azuis’ cantar na terra de Tom Jobim, que foi um de seus compositores e arranjadores.
Os filmes incluem “A Um Passo da Eternidade”, “O Homem do Braço de Ouro”, de Otto Preminger, com Sinatra no papel de viciado e ele quase ganhou o Oscar de protagonista de 1955 – perdeu para o Ernest Borgnine de “Marty -, Meu Ofício É Matar”, de Lewis Allen, famoso como o filme que antecipou o assassinato de John Kennedy, e “Sob o Domínio do Mal”, notável thriller político de John Frankenheimer. Tendo sido Sinatra o grande cantor e entertainer que foi, a programação privilegia os musicais – “A Bela Ditadora”, “Corações Enamorados”, “Marujos do Amor”, “Um Dia em Nova York”, “Eles e Elas”, “Alta Sociedade”, “Meus Dois Carinhos”, “Can-Can”.
O público poderá rever o original (de Lewis Milestone) que originou a série de Steven Soderbergh – “Onze Homens e Um Segredo”. Também os westerns – “Três Sargentos”, de John Sturges, que transpõe o clássico “Gunga Din” (de George Stevens) para o Velho Oeste, e “Quatro Heróis do Texas”, de Robert Aldrich. Um destaque muito especial vai para a parceria de Sinatra com o diretor Gordon Douglas nos anos 1960, em três policiais que marcaram época – Tony Rome, “A Mulher de Pedra” e “Crime sem Perdão”, em que ele faz policial que descobre a corrupção dos colegas e promove um pioneiro Lava-Jato.
O mito de Sinatra ultrapassou as fronteiras dos EUA. Um debate no dia 28, após a exibição de “Pal Joey/Meus Dois Carinhos”, de George Sidney, em que ele se divide entre Rita Hayworth e Kim Novak, vai tentar dar conta da persona multifacetada de Frank Sinatra. E, sim, o evento lembra os tributos brasileiros ao grande artista. Houve um Sinatra brasileiro, Dick Farney, e na obra-prima de Eduardo Coutinho, “Edifício Master”, um momento inesquecível, genial, é quando o cara canta, a capella, “My Way”. O próprio Sinatra teria se emocionado.
FRANK SINATRA – A VOZ NO CINEMA
MAM Rio. Avenida Infante Dom Henrique, 85, Parque do Flamengo, Glória, Rio de Janeiro (RJ). (21) 2240-4944. De 18/08 a 06/09.
Posts Relacionados

Instituto Athlon representa São José em Mundial na Holanda

Europa concentra maior número de casos de violência contra brasileiras no exterior

Discurso de Lula na Avibras, em Jacareí, provoca crise diplomática com o Paraguai
