Ná Ozzetti: “Minha música não pode ficar normal”
A cantora paulistana Ná Ozzetti, um dos ícones da chamada vanguarda paulista dos anos 1980, apresentou o show do disco “Embalar”, de 2013, nesta quinta-feira (27), no Sesc Taubaté. Com um repertório de riscos e acertos, Ná deixa claro, antes do show, por telefone: “minha música não pode ficar normal”.


Ná Ozzetti, em show do disco “Embalar”, no Sesc Taubaté
Renan Simão
No palco, a voz cristalina, um toque de Carmem Miranda e a sonoridade roqueira atenderam a um alerta que a cantora Ná Ozzetti fez antes do show durante entrevista por telefone: “Minha música não pode ficar normal”.
Com um repertório de riscos e acertos, a cantora paulistana foi atração do Sesc Taubaté na última quinta-feira (27), quando apresentou as canções do disco “Embalar”.
As canções de “Embalar”, o terceiro disco com a banda de Dante Ozzetti (violões), Mário Manga (guitarras e violoncelo), Sergio Reze (bateria) e Zé Alexandre Carvalho (contrabaixo acústico), remetem a climas diversos -pop, samba paulista, latinidades. Ainda que os espectadores apenas batam os pés, é notável a pegada do rock dos anos 1970 em sua música.
“É do meu tempo, a gente escutou muito Led Zeppelin, Yes. Foi natural pra gente chegar nesse som”, diz a cantora.
Os timbres densos promovem acertos e descompassos em relação às letras. “Embalar”, de Dante Ozzetti e Luis Tati, “Minha Voz”, de Déa Trancoso, canções de letras metalinguísticas e de temas herméticos, não funcionam com a profusão de ambiente carregado de guitarra distorcida.
Já “Musa da Música”, também da parceria de Dante e Tatit e também metalinguística falando da criação musical, mesmo com letra em tom cerebral se alinha bem com um ritmo afro brasileiro.
A voz de Ná Ozzetti é cristalina e não quer ser mais que a música, não ultrapassa sua banda. Aspecto esse declaradamente influenciado por Carmen Miranda que, segundo Ná, valorizava os detalhes. ” Ela tinha um domínio da música”. Em 2009, a admiração por Carmen foi registrada no disco “Balangandãs”, com versões de canções da pequena notável.
O vocal se mostra eficaz em músicas de crônica como em “Nem Oi”, de Dante Ozzetti e Makely Ka, falando de uma paquera não correspondida. Em “Pra começo de conversa”, de Ná e Tulipa Ruiz, e “Lizete”, de Kiko Dinucci e Jhonatan Silva, curiosamente composições de jovens músicos paulistanos, têm frescor de humor no canto falado, que remetem à geração de Ná nos anos 1980 do Grupo Rumo.
“O Kiko, a Tulipa, Rodrigo Campos, Rômulo Fróes. Eles tem muitas influências, mas posso perceber uma essência intuitiva que vem da minha geração”, afirma.
Os contrapontos do disco são as versões de “Mutante”, de Rita Lee e Roberto de Carvalho, e “Sutil”, de Itamar Assumpção. Canções de apelo sentimental e cantaroláveis que não encaixam em “Embalar”. Deixam no ar que Ná Ozzetti segue o caminho do incomum, faz um disco com muitas participações diferentes, climas distintos e arriscando fazer uma música que não pode ser normal.
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