Nos Porões da Resistência
Da clássica troca de mimos entre música e política, no final do século XX, nascia a B92, pequena rádio comunitária enfurnada nos escombros de Belgrado durante a guerra da Iugoslávia – que dividira a República Socialista no início da década de 1990.

Da clássica troca de mimos entre música e política, no final do século XX, nascia a B92, pequena rádio comunitária enfurnada nos escombros de Belgrado durante a guerra da Iugoslávia – que dividira a República Socialista no início da década de 1990.
Liderada por jovens apaixonados por rock’n’roll, literatura e arte – e oprimidos pelo nacionalismo sangrento de Slobodan Milosevic –, a B92 imprimiu seu sonho de liberdade equipada por um modesto rádio-transmissor e alguns álbuns de rock.
Escrito por Matthew Collin, B92 – Rádio Guerrilha descreve, em pormenores, a empreitada apaixonada desses rapazes, auto-intitulados de “geração perdida”, sôfregos em transmitir seu jornalismo cortante, sua música urgente, pautada pelo grunge de Seattle, o house beat de Chicago e muito hip hop.
Veran Matic, editor e capitão da equipe, lançava campanhas para legalizar a prostituição, o homossexualismo e o uso de drogas leves – além de convocar, em suas entrevistas, ideólogos renegados pelo regime. A B92 era assim, a própria antítese de Milosevic, borrando de vermelho a arquitetura social e política da ex-Iugoslávia.
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