O mago dos sintetizadores
Arthur Joly conta como se apaixonou pelo instrumento que dominou o pop nos anos 1980


Paulistano Arthur Joly
Reprodução
Quando guri, o paulistano Arthur Joly sentia como se entrasse na fiação dos circuitos elétricos dos sintetizadores usados por Rick Wakeman, o tecladista virtuose e frito da banda progressiva Yes, no disco Viagem ao Centro da Terra.
O pai de Joly colocava a agulha no sulco do vinil, deixava o álbum da obra baseada no livro de Jules Verne girar e o pequeno ouvia sons que lhe pareciam tão distintos daquele conhecido das rádios, de bandas como Beatles e Rolling Stones. O rapaz cresceu, tornou-se guitarrista, produtor, dono de selo fonográfico: “Para mim, o sintetizador sempre foi algo intrigante”.
Porque, de fato, o instrumento parece uma geringonça difícil de entender. O som dos sintetizadores analógicos (ou synths, como são chamados de forma mais carinhosa) é produzido pela manipulação da corrente elétrica e foi importante para a música de vanguarda dos anos 1970. Na década seguinte, chegaram ao pop, ao new wave e ao som sintético que grupos com Depeche Mode buscavam para suas canções de letras sombrias. Dez anos depois, os synths caíram em desgraça – o universo da música passou a ser dividido entre aqueles guiados pelas guitarras e aqueles que faziam uso do autotune. Hoje, os instrumentos têm algo de vintage, causam curiosidade nos mais jovens e são apreciadíssimos por quem, como Joly, gosta de surfar por ondas sonoras distintas.
Desde 2009, Joly deixou de comprar sintetizadores e, curioso, passou a criá-los. A partir de então, construiu mais de 50 aparelhos, vendeu boa parte deles – inclusive, um foi comprado por um amigo de Hans Zimmer para presentear o músico nove vezes indicado para o Oscar e vencedor da estatueta pela trilha sonora de O Rei Leão.
Nove dos sintetizadores de Joly estão expostos na Recosynth, exibida no Red Bull Station, espaço dedicado ao fino da música e da expressão artística, criado no centro de São Paulo, como parte da programação do Red Bull Music Pulso, realizado do fim de março até o dia 28 de abril. O evento chega à terceira edição e propõe uma imersão criativa, com painéis, shows e workshops – toda a programação é gratuita e pode ser conferida no site oficial do evento.
Joly é um dos destaques da programação. Na quarta-feira, 4, ele lançou seu novíssimo disco, Arthur Joly Apresenta: Música de Modular para Modular, gravado inteiramente com o sintetizador criado por ele, Jolymod 1, como uma despedida – ele havia vendido o instrumento. Joly também estrela o documentário Out of Frame, que será exibido hoje, 5, às 20h, seguido de um papo com o próprio músico.
RECOSYNTH
Red Bull Station. Galeria principal. Praça da Bandeira, 137. 3ª a 6ª, das 11h às 20h. Sáb., das 11h às 19h. Grátis. Até 28/4
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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