Países da África e Concacaf classificam cinco seleções no Brasil
No futebol mundial, já virou quase um lugar comum dizer que não existem partidas fáceis ou adversários pequenos. A Copa do Mundo da Fifa parece ter vindo para comprovar essa afirmação, derrubando vários prognósticos por terra. E nada melhor para deixar isso ainda mais claro que os resultados de países da África e da América do Norte, Central e Caribe.


Seleção da Costa Rica surpreende e chega às oitavas
Getty Images/Fifa.com
No futebol mundial, já virou quase um lugar comum dizer que não existem partidas fáceis ou adversários pequenos. A Copa do Mundo da Fifa parece ter vindo para comprovar essa afirmação, derrubando vários prognósticos por terra. E nada melhor para deixar isso ainda mais claro que os resultados de países da África e da América do Norte, Central e Caribe.
Essas confederações quebraram os seus próprios recordes em Mundiais, classificando respectivamente duas e três seleções para as oitavas de final. Mas vale ressaltar que, apesar de parecerem inesperados, esses resultados são nada mais do que a confirmação de uma tendência que já havia se iniciado várias edições atrás.
Volta por cima e confirmações
“Em toda a minha carreira, jamais tinha visto um Mundial deste nível”, disse Fabio Capello após a eliminação da Rússia, comandada por ele, diante da Argélia. “A qualidade é absolutamente incrível e a velocidade extremamente intensa.” Se o experiente técnico italiano enxerga dessa forma, algum motivo ele tem.
O continente africano já havia tido grandes momentos na história das Copas do Mundo, como a classificação de Camarões e Gana para as quartas de final — na Itália 1990 e África do Sul 2010 respectivamente — e a vitória de Senegal sobre a França na Coreia/Japão 2002. E os feitos que antes pareciam ser isolados, atribuídos a uma única seleção do continente por vez, agora vieram por meio de dois dos seus representantes.
A Argélia encantou com velocidade e raça, chegando a uma classificação que teve um gosto ainda mais especial. Isso porque, na Espanha 1982, os argelinos haviam impressionado o mundo com uma vitória na estreia diante da Alemanha Ocidental, mas acabaram eliminados já na fase de grupos. Agora, por um capricho do destino, o adversário das oitavas será justamente a seleção alemã. “Quero dedicar esta conquista a todos os torcedores, que esperaram tanto tempo por isso”, declarou orgulhoso o técnico Vahid Halilhodzic.
O outro representante do continente nesta fase da competição é a Nigéria, que já havia se classificado para as oitavas de final 16 anos atrás. E ninguém melhor para relembrar aquele momento do que Stephen Keshi, que nos Estados Unidos 1994 ajudou o seu país dentro das quatro linhas e agora é o técnico da seleção. “Estou muito feliz, queríamos que a África ficasse orgulhosa e acho que conseguimos.”
O retorno de uma seleção pioneira
A região da América do Norte, América Central e Caribe também tem motivos para comemorar. Três dos seus quatro representantes estão na segunda fase. E se engana quem pensa que isso é fruto do acaso. A Costa Rica deixou pelo caminho dois campeões mundiais (Itália e Inglaterra), o México sobreviveu ao grupo do Brasil, e os Estados Unidos só foram derrotados pela favorita Alemanha.
O feito também não é nenhuma surpresa. Os mexicanos passaram da fase de grupos em seis edições consecutivas, marca atingida apenas por outras duas seleções: Brasil e Alemanha. Já os americanos chegaram a este ponto da competição em três das últimas quatro edições, tendo inclusive passado às quartas de final na Coreia/Japão 2002.
A classificação dos costa-riquenhos é digna de destaque. Foram eles, e não os mexicanos, os pioneiros do continente nas oitavas de final, na memorável campanha na Itália 1990. Desta vez, eles deram um passo ainda maior e conquistaram o primeiro lugar do grupo, e que grupo! Para passar de fase, a Costa Rica teve de encarar Uruguai, Inglaterra e Itália, três pesos-pesados do futebol.
“Fico extremamente satisfeito”, declarou o técnico Jorge Luis Pinto. “Agora estamos preparados para enfrentar qualquer adversário e faremos isso com confiança em nós mesmos”, completou o treinador, cujas palavras não parecem ser nenhum exagero depois dos resultados obtidos dentro de campo.
O sucesso de uns representa o fracasso de outros. A Europa, por exemplo, segue a tendência de baixa iniciada quatro anos atrás. Assim como em solo africano, apenas seis dos seus 13 representantes conseguiram avançar à segunda fase. Uma grande diferença se comparado com as dez classificadas na Alemanha 2006. Já o continente asiático, que na África do Sul 2010 levou dois países às oitavas, desta vez teve de amargar apenas eliminações.
Essas confederações terão quatro anos para se preparar e tentar também dar a volta por cima. Enquanto isso, muita bola ainda vai rolar em solo brasileiro, e certamente Nigéria, Argélia, México, Estados Unidos e Costa Rica terão participação fundamental nesta história.
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