Para especialistas, seleções estão mais ofensivas na Copa no Brasil
Melhor média de gols em quase 50 anos, jogos menos faltosos, queda drástica no número de cartões. A Copa do Mundo de 2014 encerrou a primeira fase e já dá mostras de que entrará para a história como uma das mais disputadas e emocionantes da história. Mas, apesar do bom futebol apresentado na fase de classificação por equipes como Colômbia, Chile, Costa Rica, Bélgica e Estados Unidos, para analistas ouvidos pela reportagem, o título mundial deve mesmo ficar nas mãos de alguma seleção tradicional.


Alemão Thomas Müller fez um hat-trick diante de Portugal na primeira rodada
Getty Images/Fifa.com/Divulgação
Melhor média de gols em quase 50 anos, jogos menos faltosos, queda drástica no número de cartões. A Copa do Mundo de 2014 encerrou a primeira fase e já dá mostras de que entrará para a história como uma das mais disputadas e emocionantes da história. Mas, apesar do bom futebol apresentado na fase de classificação por equipes como Colômbia, Chile, Costa Rica, Bélgica e Estados Unidos, para analistas ouvidos pela reportagem, o título mundial deve mesmo ficar nas mãos de alguma seleção tradicional.
“Se um desses times chegar às semifinais, já será um feito. Mas não vejo nenhum com chances de ficar com a taça. Dos ‘sem títulos’, acho que a Holanda é a que tem mais possibilidades de chegar à decisão e ganhar”, afirma Humberto Peron, colunista do diário Lance! e um dos autores do livro “Dicionário das Copas”.
“Não acho que ganham, mas podem ir mais longe do que esperavam. Ainda acredito em semifinais com países tradicionais, sem surpresas”, concorda o repórter Thiago Rocha, que cobre a Copa pelo portal iG.
Se não alcançarem a façanha de erguer o primeiro troféu, ao menos essa Copa terá sido inesquecível para alguns países. Poucos acreditavam na excelente campanha da Colômbia, que perdeu seu principal jogador, o atacante Falcão García, do Monaco, por lesão. Mas o time foi um dos quatro a cumprir campanha perfeita na primeira fase, conquistando três vitórias. De quebra, ainda ostenta o segundo melhor ataque, com nove gols marcados, ficando atrás apenas da Holanda. Também é um dos melhores no fair play. A Colômbia recebeu apenas dois cartões amarelos até aqui, embora seja o quinto que mais comete faltas (16,3 por jogo).
“Foi a seleção que surpreendentemente apresentou o melhor futebol na primeira fase”, acredita Gudryan Neufert, repórter do Fox Sports. “Perguntei a um integrante da comissão técnica, e ele me disse que Falcão García faz falta, mas esse grupo está junto desde o sub-15. Então, tem muito entrosamento”, acrescentou.
Sem complexo
Para os jornalistas, a excelente média de gols (2,8), a melhor desde a Copa do Mundo de 1970, se deve à boa participação de equipes emergentes. “As seleções estão jogando sem medo, sem complexo. Mesmo aquelas sem grande história [em Copas do Mundo], como a Costa Rica”, afirmou o blogueiro Luis Simon, o Menon, que cobre o Mundial pelo portal UOL.
Outro fator que contribuiu para o aumento da média de gols foram as opções táticas de algumas das seleções favoritas ao título. “A Holanda, por exemplo, consegue jogar bem sem a bola, no contra-ataque. Já a Alemanha precisa ter mais posse [de bola]. A seleção brasileira, por sua vez, pressiona a saída do adversário para roubar a bola no campo de ataque. São poucos os jogos nesta Copa que foram ‘travados’”, argumenta Thiago Arantes, correspondente da ESPN Brasil na Espanha. “Além disso, o futebol mundial vive uma era de grandes atacantes e todos eles marcaram nesta Copa”, acrescenta ele.
Mais soltas
Jogos mais dinâmicos e rápidos combinam com mais chutes a gol e menos interrupções faltosas. A determinação da Fifa aos árbitros, de deixar as partidas correrem mais soltas, fez com que o número de cartões também diminuísse. Na primeira fase, a média de advertências por jogo foi de 2,8 cartões amarelos e apenas 0,2 expulsão. A travada Copa do Mundo da África do Sul, há quatro anos, ostentou 3,8 cartões amarelos e 0,3 vermelho por partida. Para Perón, a imposição da Fifa não consegue explicar todo o fenômeno.
“Acho que os times estão menos faltosos mesmos, até porque estão jogando mais ofensivamente. Ficamos impressionados com o baixo número de faltas na Copa porque o futebol jogado aqui é muito faltoso”, afirma o colunista do Lance!
Tiki-taka alemão
Outro fator que ajuda a explicar a boa média de gols foi a decadência do tiki-taka, sistema tático da Espanha baseado na posse de bola, mas pouco efetivo em termos ofensivos. Apesar do fracasso do atual campeão do mundo, eliminado logo na primeira fase do Mundial, esse sistema de jogo, que levou a Espanha também a um inédito bicampeonato da Eurocopa (2008 e 2012), não deve ser abandonado.
“O tiki-taka não acabou. Na seleção da Espanha ele foi mal adaptado para as necessidades atuais. Xavi, por exemplo, já não tem o fôlego para ser o motor do time, como antes”, analisa Thiago Arantes, da ESPN Brasil. “Mas, na Alemanha, que baseia seu jogo no Bayern de Munique de Pep Guardiola [técnico espanhol], ele continua. Os alemães trocaram 1.792 passes na primeira fase [a média da Copa é de 1.153], com 85% de acerto. É uma espécie de tiki-taka alemão, no fim das contas”, brinca ele.
De qualquer forma, um tiki-taka adaptado e mais eficiente. Na primeira fase foram 7 gols alemães em 3 jogos, apenas um a menos do que os espanhóis marcaram nos 7 jogos que disputaram para serem campeões da Copa de 2010.
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