Autor Nelson de Oliveira defende liberdade na criação de personagens
Escritor estará em São José durante oficina literária sobre o tema


Ecritor prefere criar seus personagens baseado na observação do cotidiano
Divulgação
Sherlock Holmes é investigador britânico e desvenda crimes utilizando dedutivo e habilidoso raciocínio lógico. Conde Drácula é um vampiro imortal, que alimenta-se de sangue humano, é natural da Transilvânia e tem aversão à luz do sol. Emília é uma boneca feita por Tia Nastácia e, depois de tomar uma pílula falante, ganha vida e põe-se a tagarelar pelo Sítio do Picapau Amarelo.
Apesar de não existirem em carne e osso, vira e mexe nos deparamos com algum personagem da ficção no nosso dia-a-dia. Mas, afinal, o que transforma o protagonista de uma obra literária (ou do cinema, teatro, novela, quadrinhos) em uma personalidade tão presente no imaginário popular? Qual a fórmula para construir um ser fictício que resista ao tempo?
Bem, de acordo com o escritor Nelson de Oliveira (que atualmente assina suas obras com o pseudônimo de Luiz Bras), não existe receita. Os grandes personagens, segundo ele, nascem da disciplina, talento e de um pouco de sorte dos escritores.
“Outro mito é que o personagem sempre carrega um pouco do autor. Isso pode acontecer, mas não é uma regra. Há quem prefira utilizar elementos autobiográficos, mas também existe uma segunda linha, que se baseia exclusivamente na observação e criação. É quem pega um sotaque do taxista, uma expressão do dono da banca… E é nessa segunda linha que me incluo”, afirma.
Autor de livros como “Naquela época tínhamos um gato” (1998) e Subsolo Infinito (2000), o autor aporta em São José dos Campos neste sábado (15), onde vai ministra uma oficina de criação de personagens. A atividade, com inscrições esgotadas, acontece no Espaço Cultural Tim Lopes, no Bosque dos Eucalíptos.
Durante a oficina, o escritor apresenta alguns personagens de sua criação e passa aos alunos alguns exercícios de observação e sintetização, fundamentais para a criação dos personagens. Entretanto, de acordo com Oliveira, outras questões relevantes como a linguagem e o estilo do narrador também fazem parte desse processo de construção.
“Uma oficina sobre personagens não é só uma oficina sobre personagens. Temos que falar muito dos tipos de narrador, das várias maneiras de contar uma história e de incorporar os recursos do escritor”, explica.
Pedido
O evento deste sábado é parte de um projeto que o espaço cultural realiza todas as terças-feiras, a oficina literária. Há dois meses, atendendo a pedidos dos alunos, o curso conta com a presença de um escritor renomado.
“Os próprios alunos fizeram a solicitação por achar interessante essa troca com autores mais conhecidos. Tem dado muito certo”, explica a coordenadora do espaço, Erika Siqueira.
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