Pechinchar é lei na feira de Izmailovo, tradicional comércio popular em Moscou

Feira mistura a ferveção da rua 25 de março com o charme das feiras de antiguidades

Escrito por: Conteúdo Estadão4 min de leitura
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É uma das mais tradicionais de Moscou e parada obrigatória para torcedores que querem buscar as lembrancinha

Estadão

A feira de Izmailovo mistura a ferveção da rua 25 de março, o maior centro de comércio popular do Brasil, em São Paulo, com o charme das feiras de antiguidades, como a de todo domingo no Masp (Museu de Arte de São Paulo). É uma das mais tradicionais de Moscou e parada obrigatória para torcedores de todos os países que querem buscar as lembrancinhas do anfitrião da Copa do Mundo. Dá para achar tudo: gorros e luvas para o inverno, roupas de pilotos de avião, tapetes de pele de urso e bonés militares.

A gerente financeira Karina Vieira queria comprar matrioshkas. Como tinha várias amigas para presentear, escolheu a promoção de cinco por 500 rublos (R$ 30). Entre as maiores, cada uma sai por 250 rublos (R$ 15). As matrioshkas estão por toda a parte em Izmailovo. De 10 barracas, oito apostam nas famosas bonecas russas que ficam umas dentro das outras.

No início da competição, elas entupiam as prateleiras com as fotos chapadas de Griezmann, Cristiano Ronaldo, Salah e Messi. Agora, as fotos dos jogadores estão no pé das barraquinhas da feira. As tradicionais, aquelas que prestam homenagens às figuras das mães russas, com o rosto redondo e acolhedor, agora ocupam o espaço nobre.

São seis corredores com barracas dos dois lados. Karina Vieira teve de pesquisar e pechinchar – sim existe essa palavra em russo. O idioma da negociação varia de acordo com a cara do freguês. Alguns tentam o inglês e o espanhol, mas acabam parando na mímica e no uso da calculadora. Por causa do clima da Copa do Mundo, do verão e do interesse óbvio na venda, os vendedores são simpáticos. As camisas das seleções também são sinal de identidade: existem vendedores peruanos (ou torcedores do Peru), alemães e com bandeiras da China e do Vietnã. Outras vendedoras usam vestimentas típicas do interior da Rússia.

Essa tentativa de aproximação com os clientes combina com a arquitetura das barraquinhas. No mercado, também conhecido como Vernisazh, versão russa da palavra francesa “vernissage”, os tetos da barracas são cúpulas arredondadas, parecidas com aquelas das igrejas ortodoxas. Um charme só. Cada barraca traz uma surpresa e também revela um lado do jeito russo de ser. As memórias da guerra e o apreço pelo passado militarista estão na venda de uniformes de soldados e de capacetes de pilotos de avião.

Certo saudosismo pela herança soviética é visto ainda nas bandeiras vermelhas da URSS e em uma centena de quinquilharias como máquinas fotográficas analógicas, máquinas de escrever, relógios antigos. Tem também roupas de inverno de todo tipo. Um tapete de pele de urso custa 48 mil rublos (R$ 3 mil). Genuíno, diz o vendedor.

Um dos itens mais valorizados da feira são ovos de madeira pintados por membros da Igreja Ortodoxa. Eles são feitos para celebrar a Páscoa, uma das datas mais importantes na religião dos russos. São réplicas do ovos Fabergé, obras-primas do período de 1885 a 1917 feitas para os czares da Rússia. Os preços variam de acordo com o tamanho do ovo. Os pequenos saem por R$ 110 reais.

O vendedor Sergey Riabov, dono da única barraca autorizada a vender os ovos de madeira, está em Ismailovo há 26 anos. “Desde a época da União Soviética”, destacou apontando o dedo para cima. Ele não sabe explicar as razões do fascínio dos turistas pelos ovos. Acredita que é por causa da religiosidade de cada pessoa, um sentimento que não depende da nacionalidade, segundo ele. A gerente de comunicação Vivian Peres levou três por R$ 230 – a conversa começou com R$ 100 cada um.

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