Quando menos é mais

Casa das Coisas, do autor de São José dos Campos reúne 70 micropoemas

Escrito por: João Pedro Teles3 min de leitura
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Alcimar Alves de Souza Lima tem o cotidiano como sua principal inspiração

Guilherme Cursino/Divulgação

Com quantas estrofes se faz um grande poema? Na matemática etérea da poesia, uma caneta cirúrgica basta para transformar dois e dois em muito mais do que quatro. “Vende-se: sapatos de bebê, nunca usados”, já exprimiu Ernest Hemingway em conto que perpetuou o peso da concisão literária.

Sacar no cotidiano a inspiração para um verso. Ouvir os rangidos da rotina. Podar o desnecessário e pingar, gota a gota, a poesia minimalista no papel. Esta tem sido parte da rotina do psicanalista Alcimar Alves de Souza Lima, de São José dos Campos, nos últimos sete anos.

O resultado deste trabalho pode ser conferido no livro Casa das Coisas (J.A. Cursino & Editores) que o autor lança nesta quarta-feira (4) durante sarau no espaço Casa das Rosas, em São Paulo. Por aqui, o lançamento acontece um pouco mais tarde, na segunda quinzena de abril no Sesc São José dos Campos.

Este é o primeiro livro de poesias do autor, que antes dedicava-se a ensaios ligados a psicanálise. São 70 poemas que Lima não faz questão de titular. A maioria deles com apenas um verso. A fórmula, afirma Lima, vem principalmente da experiência na psiquiatria.

“A atuação do terapeuta tem muito disso. Ouvir o paciente durante toda e sessão e tocar no ponto exato do problema com poucas palavras. Isso eu trouxe para minha construção poética. Embora o resultado seja de uma linha ou pouco mais, o processo é exigente. Gosto do impacto que esses micropoemas causam no leitor”, afirma.

Morada
Todos os poemas do livro têm forte ligação com a ideia do lar, “corpo pulsional” da obra, como define o autor. A figura da casa está presente em poemas como “no interior do sótão futuros passados”, ou “a porta nem sempre aporta uma saída”.

“Isso não foi de caso pensado. Na verdade, quando comecei a levantar o material para o livro foi que eu me dei conta desta característica. A maioria desses micropoemas trazia este elemento da casa. Da porta, das frestas, gavetas. Foi aí que escolhi o nome do livro. Excluí os poemas que não tinham a temática e cheguei a uma unidade entre os trabalhos”, afirma.

Festival
O escritor estará em São Francisco Xavier durante o Festival da Mantiqueira, que acontece nos dias 10, 11 e 12 de abril.  Lima será um dos convidados da Fundação Cassiano Ricardo como palestrantes durante o festival.

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