Revoluções musicais do século XX: Contracultura: os hippies de São Francisco

Ao mesmo tempo em que a chegada do rock inglês avançava pelo mundo, assim como o folk-rock e a soul music ganhavam terreno nos Estados Unidos, nascia em São Francisco (Califórnia), entre 1965 e 1970, um grupo de compositores influenciados pela contracultura, esboçando uma inusitada mistura entre folk-rock e rhythm’n’blues.

Escrito por: Meon Redação3 min de leitura
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Ao mesmo tempo em que a chegada do rock inglês avançava pelo mundo, assim como o folk-rock e a soul music ganhavam terreno nos Estados Unidos, nascia em São Francisco (Califórnia), entre 1965 e 1970, um grupo de compositores influenciados pela contracultura, esboçando uma inusitada mistura entre folk-rock e rhythm’n’blues.

Na região de Bay Area, bandas como Jeferson Airplane, Grateful Dead, Creedence Clearwater Revival, Blue Cheer, The Charlatans, Santana e Janis Joplin, escreviam canções exóticas, com harmonias dotadas de lirismo. Muitos desses grupos traziam longas improvisações, timbres distorcidos de guitarra, vocais berrados (da soul music), escalas musicais do blues, letras com alusões a estados alterados da mente. Eram artistas excêntricos, que viviam em comunidades, vestiam roupas extravagantes (geralmente com o visual “flower power”) e deixavam seus cabelos crescer.

As drogas, para eles, especialmente a maconha, o haxixe e o LSD, passavam a expressar uma espécie de iluminação artística e pessoal. Seduzidos pelas filosofias orientais, fãs de jazz e folk-rock, partidários do sexo livre e do ativismo social, foram logo nomeados de “hippies”. Nascia, deste modo, mais um movimento de subversão social dentro do rock – que acabou norteando as agitações estudantis que efervesciam por todo o mundo no final da década de 60.

Com a nova comunidade hippie, os concertos de rock – outrora montados para a elite – tornavam-se mais democráticos e participativos. Os músicos pregavam o conceito de sinergia, mutualismo, a ideia do ritual de catarse entre banda e público. A experimentação artística (até então papel do jazz) e o engajamento político também eram conceitos fundamentais para a nova música de São Francisco.

Os hippies também foram responsáveis pelo aparecimento dos grandes festivais de rock. Como os shows eram feitos em grandes salões de dança, a ideia foi produzir eventos maiores, passando para três dias de duração, atraindo toda a comunidade – unindo música, teatro, projeção de slides, exposição de artesanatos indígenas, etc. Artistas gráficos também eram contratados para desenhar os cartazes dos festivais – sempre com criações coloridas e extravagantes. Outra novidade trazida pela cena de São Francisco foram os grandes espetáculos visuais, com jogos de luz, projeção de imagens e filmes.

Com toda essa estrutura, a contracultura americana logo passou a mover bons negócios. Os hippies mais comerciantes abriam lojas de tecidos indianos, livros de esoterismo, incensos, apetrechos para fumar maconha, e até mesmo ingressos para os shows. Pequenos jornais discutiam os principais assuntos da comunidade e traziam informações sobre os eventos.

Muitas emissoras de rádio FM, que tinham pouca projeção na época, também passavam a adicionar o rock em suas programações – o que faria as FMs dominarem mais tarde as emissoras AMs. Em suma, a cultura hippie começava a ser fortemente propagada pelos meios de comunicação. Revistas importantes como Rolling Stone, Life e Newsweek, anunciavam a nova faceta do rock’n’roll – trazendo agora uma sonoridade mais “suja”, mais improvisada e mais livre.

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