“Samba Saravah” de Pierre Barouh, foi a maior inspiração

A inspiração dos franceses que vieram ao Brasil para filmar a obra de Benjor é o cantor, ator e também cineasta francês Pierre Barouh. Foi este homem, hoje com 80 anos, quem ajudou a levar a música brasileira para a Europa na segunda metade da década de 60. Além de ter feito versões em francês para músicas brasileiras como A Noite do Meu Bem e Noite dos Mascarados (que o autor Chico Buarque considerou melhor do que a original) e de ter gravado com Elis Regina em 1968, quando ela apareceu para o mundo em duas temporadas no Olympia, de Paris, Barouh registrou em vídeo momentos históricos. Em 1969, ele foi ao Rio de Janeiro para fazer, em apenas dois dias, o documentário Samba Saravah, que se tornou uma peça com conteúdo raro da música brasileira.

Escrito por: Julio Maria2 min de leitura
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Samba Saravah de Pierre Barrouh (Divulgação/SitePierreBarrouh)

CD de 30 anos de Samba Saravah

Divulgação/SitePierreBarouh

A inspiração dos franceses que vieram ao Brasil para filmar a obra de Benjor é o cantor, ator e também cineasta francês Pierre Barouh. Foi este homem, hoje com 80 anos, quem ajudou a levar a música brasileira para a Europa na segunda metade da década de 60. Além de ter feito versões em francês para músicas brasileiras como A Noite do Meu Bem e Noite dos Mascarados (que o autor Chico Buarque considerou melhor do que a original) e de ter gravado com Elis Regina em 1968, quando ela apareceu para o mundo em duas temporadas no Olympia, de Paris, Barouh registrou em vídeo momentos históricos. Em 1969, ele foi ao Rio de Janeiro para fazer, em apenas dois dias, o documentário Samba Saravah, que se tornou uma peça com conteúdo raro da música brasileira.

“Descobri o Brasil vendo Sivuca tocar em uma casa de Lisboa”, conta. Na quinta, ele era um dos convidados de honra dos cineastas para a exibição de Obá Obá Obá, no Bar Semente.

Com pouco dinheiro e quase nenhuma estrutura, Barouh fez entrevistas com nomes que deixariam pouco registro para a posteridade, como João da Baiana e Pixinguinha. Baden Powell o conduziu pelo Rio, tocando e explicando tudo o que perguntava.

Barouh conseguiu reunir em uma mesa a céu aberto dois artistas que pouco tinham a ver naquele momento, e que seguiriam em caminhos diferentes: Paulinho da Viola e Maria Bethânia.

“Minha ideia era esta mesmo, colocar lado a lado pessoas que tinham propostas diferentes.” Paulinho não parece entender a ideia de Barouh e fala com certa irritação em um momento da conversa. “Temos proposições diferentes, você entende isso?” E explica que, a ele, interessam as escolas de samba do povo.

Só com o violão de Paulinho, a voz de Bethânia e as palmas das poucas pessoas que estavam por perto, um dos momentos sublimes da música do final dos anos 60 foi imortalizado por Barouh. O conteúdo todo já foi parar na internet.

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