Sammir: um toque de simplicidade entre os craques croatas

Ter um bom meia de ligação pode fazer a diferença em qualquer equipe, até mesmo em uma que já conta com dois grandes consagrados no setor. Na Croácia, por exemplo, o técnico Niko Kovac poderia muito bem estar satisfeito com o trabalho incansável de Luka Modric e Ivan Rakitic na recuperação ou distribuição da bola, mas para a partida decisiva contra Camarões ele sabia que precisava de mais. E foi aí que entrou em cena Sammir.

Escrito por: Do Meon*5 min de leitura
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Sammir é um dos destaques da seleção da Croácia

Getty Images/Fifa

Ter um bom meia de ligação pode fazer a diferença em qualquer equipe, até mesmo em uma que já conta com dois grandes consagrados no setor. Na Croácia, por exemplo, o técnico Niko Kovac poderia muito bem estar satisfeito com o trabalho incansável de Luka Modric e Ivan Rakitic na recuperação ou distribuição da bola, mas para a partida decisiva contra Camarões ele sabia que precisava de mais. E foi aí que entrou em cena Sammir.

Bom, o brasileiro naturalizado croata não chegou a ser o maior destaque do jogo – e que isso fique claro. Mas o ritmo que trouxe ao setor tanto na hora de conduzir as bolas recuperadas por Modric e Rakitic quanto ao municiar um ataque reforçado por Mario Mandzukic deram ao time um equilíbrio que havia faltado na derrota para o Brasil e que acabou sendo fundamental na goleada por 4 a 0 sobre os africanos.

Assim, mesmo sem gols ou assistências e com um futebol simples, o meia deixava sua marca de outra forma. “Ele (Kovac) me colocou para que a gente tivesse mais a posse da bola, para trocar passes com os outros meias e criar ocasiões no ataque”, analisa Sammir ao site da Fifa. “Estou satisfeito com o que fiz, mas acho que posso melhorar; aliás, o time inteiro ainda pode. Estamos em evolução.”

Em uma equipe recheada de estrelas, o jogador de 27 anos não se intimidou com a responsabilidade de armar o jogo – e, isso, por uma razão de novo simples. “É fácil jogar com craques. A cada dia aprendo algo novo com eles, nos treinos ou nos jogos”, explica. “Estou feliz com o que tenho mostrado, e espero que eles também estejam. São grandes jogadores que atuam nos maiores clubes do mundo, então é um privilégio estar ao lado deles.”

Nada, nem mesmo o peso de estrear em uma Copa do Mundo disputada no país em que nasceu e em uma partida que poderia representar a eliminação de sua equipe, parecia abalar sua tranquilidade. “Jogar uma Copa no Brasil é uma motivação a mais para mim. Por isso só posso entrar e tentar ficar o mais relaxado, para ajudar a Croácia no que for preciso.”

O show deve continuar
E pensar que o sonho de jogar este Mundial por pouco não se realizou. Depois de atuar em algumas partidas da Croácia nas eliminatórias, Sammir perdeu espaço na seleção, e os problemas que enfrentou no Dínamo de Zagreb no final de 2013 colocaram em xeque sua ida ao Brasil. Kovac, no entanto, não deixaria de acompanhar os passos que o jogador daria no Getafe, da Espanha, e, se não o utilizaria na repescagem contra a Islândia, ele o chamaria para os treinos preparatórios antes de definir a lista dos 23 jogadores que iriam ao Brasil.

Por tudo que enfrentou neste período, Sammir só poderia retribuir esta segunda chance de uma forma. “O treinador confiou em mim. Ele foi até Madri para conversar comigo, disse que iria me acompanhar, e isso virou um motivo a mais para que eu trabalhasse sério. Mais do que nunca”, conta. “Cheguei a pensar que poderia perder a Copa, mas agora tenho que dar tudo e fazer o que ele espera de mim.”

Com a convocação garantida, apareceram, então, duas oportunidades que ele tanto aguardava: a de poder se concentrar com a equipe na Bahia – estado em que nasceu e que acolheu a delegação croata na Copa – e a de enfrentar justamente o Brasil. Mesmo que, neste caso, suas impressões tenham se resumido a rever alguns colegas do passado, como Fernandinho, com quem jogou ainda no juvenil do Atlético Paranaense, e a encarar o momento crucial da execução dos hinos.

“Claro que naquela hora, com a torcida toda cantando, a emoção bate forte. Nasci aqui no Brasil, então foi uma situação inusitada”, explica. “Mas quando o jogo começou, a gente esquece disso. Infelizmente não entrei, mas acho que tivemos uma boa atuação e merecíamos pelo menos um empate.”

Sammir, claro, esperava um resultado melhor para seu país adotivo, mas isso não significa que torcer para o Brasil fosse algo proibido – não ao menos mais tarde, na segunda rodada, quando a Seleção enfrentou o México. Naquela ocasião, ele não teve problemas em voltar a vestir a camisa verde-amarela, nem que, para isso, fosse preciso se justificar. “Tive motivos para torcer. Primeiro porque sou brasileiro; segundo, porque teria sido melhor para a Croácia. Infelizmente, não aconteceu.”

O empate deixou os líderes do Grupo A com um ponto a mais que a Croácia, que não terá outra opção a não ser vencer os mexicanos nesta segunda-feira para evitar a eliminação. Em outra decisão, Sammir ao menos mostra estar tranquilo e pronto para ajudar os craques do time a render ainda mais. “Eles vão entrar para não perder, então só nos resta atacar e ganhar o jogo. Somos muito bons para ir para casa tão cedo.”

(* com informações do site da Fifa)

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