Sandra Werneck retoma com Andréa Beltrão em seu êxito de 1996

Sandra Werneck é o tipo da diretora que não consegue passar sem filmar. Depois de Sonhos Roubados, ela se jogou no projeto sobre Marina Silva. Não queria fazer um perfil da política, mas contar sua história anterior, no Acre. Não encontrou nenhum investidor interessado. Sandra começou a se inquietar. Como muitos diretores, ela pensa de vez em quando que vida seus personagens estarão levando. O casal de Pequeno Dicionário Amoroso, de 1996, por exemplo.

Escrito por: Luiz Carlos Merten3 min de leitura
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Pequeno Dicionário Amoroso, filme de 19996 (Divulgação/EuropaFilmes)

O filme de 1996, Pequeno Dicionário Amoroso, tem segunda edição em produção

Divulgação/EuropaFilmes

Sandra Werneck é o tipo da diretora que não consegue passar sem filmar. Depois de Sonhos Roubados, ela se jogou no projeto sobre Marina Silva. Não queria fazer um perfil da política, mas contar sua história anterior, no Acre. Não encontrou nenhum investidor interessado. Sandra começou a se inquietar. Como muitos diretores, ela pensa de vez em quando que vida seus personagens estarão levando. O casal de Pequeno Dicionário Amoroso, de 1996, por exemplo.

A história de Luiza e Gabriel, interpretados por Andréa Beltrão e Daniel Dantas, começou a se (re)desenhar na imaginação da diretora. Ela escreveu o roteiro com Paulo Halm e, desta vez, o mercado correspondeu. Os investidores responderam, mas Sandra, que precisava filmar logo, topou com um problema, o dinheiro ainda não foi liberado pela Ancine e ela não vacilou. Foi ao banco e fez um empréstimo para começar a filmar logo. E assim, na última quinta-feira, dia de jogo da Copa no Maracanã, e feriado municipal na cidade, um calor do cão, sol (quase) a pino às 11 da manhã, ela e sua equipe ocupavam o cemitério São João Batista, para filmar a cena inicial de Pequeno Dicionário Amoroso 2.

De novo, no cemitério? Pois o primeiro filme, você deve se lembrar, começava justamente num campo-santo, onde a arquiteta Luiza, fotógrafa por hobby, conhecia o biólogo Gabriel, recém-separado de Bel. Eles hesitavam em se comprometer e os amigos Marta e Barata, Monica Torres e Tony Ramos, davam conselhos, e justamente esses conselhos compunham o dicionário do título.

No 2, Luiza, casada, mãe de um menino, enterra o padrasto na cena inicial. Camila Amado faz a mãe. Gabriel vem dar os pêsames à ex-sogra. “O mais interessante da continuação é que não apenas dá prosseguimento à história de Luiza e Gabriel como conta uma outra história. O mundo mudou nesses 18 anos e os personagens acompanharam as mudanças. Gabriel teve outras ligações que não deram certo, Luiza tem marido e filho, mas não está satisfeita.

Primeiro filme ajudou a devolver público às salas
Como sua sequência, o primeiro Pequeno Dicionário Amoroso teve de ser feito em duas etapas, porque a filmagem foi interrompida pela gravidez da atriz Andréa Beltrão. Lançado em 1996, no começo da chamada ‘Retomada’, o filme fez 402 mil espectadores e foi importante num momento em que, após todas as dificuldades da era Collor, o cinema brasileiro reconquistava o público. No Festival de Brasília, recebeu dois prêmios – dois Candangos. Melhor fotografia – e Walter Carvalho depois iria codirigir Cazuza com Sandra Werneck – e melhor montagem, para Virginia Flores. A originalidade do primeiro filme não estava na love story, mas no dicionário criado pelos amigos dos protagonistas para, de A a Z, listar tudo aquilo que faz do amor algo tão necessário, e importante.

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