Segundo dia do Estufa trata de inovação, experimentação e realidade
Em seu segundo dia nesta SPFW N46, nesta quarta, 24, as apresentações do projeto Estufa oscilam entre coleções de vocação puramente experimental, como a da marca Ão, e outras mais conectadas à vida real, caso das grifes Helena Pontes e Korshe 01. Pernambucana radicada no Rio, e mais “velha” desse trio (sua marca foi fundada em 2014), Helena…

Em seu segundo dia nesta SPFW N46, nesta quarta, 24, as apresentações do projeto Estufa oscilam entre coleções de vocação puramente experimental, como a da marca Ão, e outras mais conectadas à vida real, caso das grifes Helena Pontes e Korshe 01.
Pernambucana radicada no Rio, e mais “velha” desse trio (sua marca foi fundada em 2014), Helena tem o trabalho mais consistente do grupo. Batizada de Marias, sua coleção foca numa bela alfaiataria feminina, traz interessantes geometrias, construída com uma paleta de cores terrosas em materiais naturais, como algodão e linho. “É uma coleção de mulheres pássaro”, afirma a designer. “Querem cortar nossas asinhas, mas não vamos deixar. Somos resistência”, completa.
Depois dela, veio a marca Ão, da figurinista Marina Dalgalarrondo. Rompendo convenções, ela investe numa apresentação em que trabalha duas de suas obsessões “cor e volume”. Suas roupas em algodão trazem elásticos que criam efeitos repuxados e provocam uma estranheza de shapes. Trabalhando numa cartela de azuis, dos mais lavados ao marinho, seu desfile ganha contornos surreais conforme escurece a gradação, encerrando com uma série de looks que deformam a silhueta.
A Korshi 01, entretanto, está entre um dos mais interessantes nomes do Estufa até aqui. O ponto de partida do estilista Pedro Korshi é um tipo de sustentabilidade bem diferente do que estamos habituados a ver, focada no utilitarismo, não apenas nos materiais. Visando aproveitamento máximo de uma roupa, usa botões de pressão e aplicações de velcro em pontos estratégicos para desmembrar uma roupa em várias. Um trench-coat, por exemplo, vira macacão e avental. Uma calça pode ter parte de suas pernas desconectada, transformando-se num conjunto de bermuda mais bolsa.
É um primeiro desfile da marca, cujas ideias ainda podem evoluir, especialmente nos acabamentos. De qualquer forma, é exatamente esse o tipo de proposta que se espera de um projeto e de marcas dedicadas a inovação: com um pé na disrupção e outro em viabilidade.
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