Sérgio Rodrigues: futebol como centro do romance

O romance “O Drible” (Companhia das Letras), de Sérgio Rodrigues, é um romance que aborda dicotomias, tendo o futebol como centro da narrativa. Conflitos de geração de pai e filho, memórias de grande ídolos e o período pré e pós Ditadura entram neste jogo acirrado. Há cerca de dois meses da Copa do Mundo, Rodrigues vai estar no Festival da Mantiqueira – Diálogos no domingo (6), em São Francisco Xavier, falando sobre o livro e o país da pátria de chuteiras.

Escrito por: Renan Simão3 min de leitura
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Sérgio Rodrigues já foi jornalista esportivo e cobriu a Copa do Mundo de 1986

Divulgação/Bel Pedrosa

O livro “O Drible” (Companhia das Letras), de Sérgio Rodrigues é um romance que aborda dicotomias, tendo o futebol como centro da narrativa. Conflitos de geração de pai e filho, memórias de grande ídolos e o período pré e pós Ditadura entram neste jogo acirrado. Há cerca de dois meses da Copa do Mundo, Rodrigues vai estar no Festival da Mantiqueira – Diálogos no domingo (6), em São Francisco Xavier, falando sobre o livro e o país da pátria de chuteiras.

A história do romance apresenta Murilo Filho, um cronista de futebol aposentado que marcou época nos anos 1960 e é aficionado por histórias de grandes jogadores, e Murilo Neto, seu filho, que é um perna de pau, vive mergulhado em cultura pop, viveu no pós Ditadura e não vê o pai há mais de 20 anos -crê que o pai teve algo com a morte da mãe.

Quando se veem, o futebol costura a relação dos Murilos. Nostálgico, poético e revelador, o futebol é representado em uma época de ouro dentro do campo e, ao mesmo tempo, está inserido em momentos do período ditatorial.

“Pano de fundo, o futebol não é. Ele é a fibra, o tecido da trama. Fala da construção dos mitos, da explicação de mitos. É uma homenagem ao futebol”, conta Sérgio Rodrigues, por telefone, ao Meon.

Alguns temas emblemáticos da história do futebol são registrados no livro. A mudança do Rio de Janeiro entre 1960 e depois dos anos 1980, a participação do rádio no imaginário dos torcedores e a posterior inserção da transmissão de TV e as jogadas fantásticas como a do quase-gol de Pelé em Mazurkiewicz, entre Brasil e Uruguai, na Copa de 1970.

Perguntado sobre a influência das crônicas esportivas de Nelson Rodrigues, o xará diz que gosta mesmo é do teatro de Nelson, “que puxa pro melodrama e acaba explodindo na cara do leitor”. Maior referência é o irmão do teatrólogo, Mário Filho, que escreveu o livro “O Negro no Futebol Brasileiro” e, de acordo com o autor de “O Drible”, é um dos livros mais importantes da história do futebol brasileiro.

O escritor também já trabalhou com jornalismo esportivo e cobriu a Copa do Mundo de 1986. “Trabalhar com futebol foi uma coisa que foi acontecendo, mas talvez se não tivesse feito isso nunca teria a ideia de começar o romance”, afirma o flamenguista e fanático pela Seleção Brasileira.

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