‘Um Amor de Vizinha’ tem Michael Douglas e Diane Keaton
And so it goes – e a vida segue em frente. O título original de Um Amor de Vizinha não deixa margem a dúvida sobre o que o público vai ver. O título brasileiro também não. Há um fator Diane Keaton, e a atriz – também estrela – de grandes filmes de Francis Ford Coppola e Woody Allen ainda consegue fazer a diferença. Em Um Amor de Vizinha, ela…

And so it goes – e a vida segue em frente. O título original de Um Amor de Vizinha não deixa margem a dúvida sobre o que o público vai ver. O título brasileiro também não. Há um fator Diane Keaton, e a atriz – também estrela – de grandes filmes de Francis Ford Coppola e Woody Allen ainda consegue fazer a diferença.
Em Um Amor de Vizinha, ela forma dupla com Michael Douglas na nova comédia de Rob Reiner. Só para lembrar, o filho do também diretor Carl Reiner emendou uma série de filmes que fizeram história em Hollywood nos anos 1980 – Conta Comigo/Stand by Me, A Noiva Prometida e Harry e Sally – Feitos Um para o Outro.
O último estabeleceu o padrão para a comédia romântica da época. Billy Crystal e Meg Ryan são os melhores amigos do mundo. Temem assumir que talvez estejam apaixonados – se o amor não der certo, poderá estragar a amizade. Na cena emblemática, a dupla vai ao restaurante. Conversam animadamente. O assunto vira o sexo, e Meg resolve dar uma lição ao amigo. O fato de uma mulher estar gemendo na cama não significa necessariamente que ela esteja sentindo prazer.
E Meg, do nada, geme e suspira, o que para o restaurante (e leva a cliente da mesa do lado a pedir o mesmo prato). Passaram-se quantos – 25 anos? -, o mundo e os comportamentos mudaram e Diane Keaton não banca uma Meg Ryan tardia.
Tanto Michael Douglas quanto ela interpretam viúvos. Ele é um corretor ranzinza, quer infernizar a vida de todo o mundo – não por acaso, o roteirista Mark Andrus também escreveu Melhor É Impossível, de James L. Brooks, que deu o Oscar para Jack Nicholson por outro vizinho rabugento.
Diane, pelo contrário, é a velhinha sacudida, que ainda vive de acordo com o figurino e o jeito de ser da icônica Annie Hall que criou em Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, de Woody Allen (e o papel lhe valeu o Oscar de melhor atriz de 1977). Diane canta num nightclub, e chora de emoção com suas velhas músicas, o que tanto pode ser emocionante como digno de embaraço.
O detalhe é relevante porque o filme todo se constrói nesse espaço. Michael Douglas acaba de completar 70 anos (em setembro), Diane Keaton está com 68 e os críticos vão dizer que o cinema não oferece mais grandes papéis para atores – mesmo astros – na terceira idade, como eles.
Douglas e Diane deveriam aposentar-se, talvez. Viver de glórias passadas. Ambos estão vivos e preferem arriscar. And so it goes. O personagem de Douglas, que não se dá bem com o filho, tem de cuidar da neta – Diane lhe dá uma mão – e é aí que a vida vem. Ele redescobre o amor.
Banal? Todo mundo sabe que já fez coisa melhor. Rob Reiner, Mark Andrus, Douglas e Diane. O velho chato tromba com as novas ferramentas de comunicação. Vai ao Google e ao Facebook atrás de informações sobre o próprio filho. A chorona eventualmente ri e faz rir. Sabendo ver, a suposta banalidade de Um Amor de Vizinha revela observações bem interessantes.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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