Uma família musical: o maior legado do compositor Elpídio dos Santos

Músico, que faria 107 anos nesta quinta (14), mantém herdeiros unidos na arte

Escrito por: João Pedro Teles3 min de leitura
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Renata Marques, Lia Marques e Negão dos Santos em show do Paranga

Reprodução/Facebook

Um lar abarrotado de filhos, festa, música e amigos, pulsando em alegria e cantoria. Assim estaria o casarão onde hoje funciona o Instituto Elpídio dos Santos, em São Luiz do Paraitinga, caso seu patrono ainda estivesse vivo. Sim, porque o compositor, um dos maiores da música nacional, comemoraria, nesta quinta-feira (14), seus 107 anos.

Se no Brasil Elpídio é famoso pela parceria com Amácio Mazzaropi – que rendeu nada menos do que 26 músicas para 19 filmes -, em casa o compositor é mais conhecido como um pai festeiro, agregador e que trazia um amor intenso pela família.

Quando combinava uma apresentação, a única exigência do músico era levar junto a esposa e os sete filhos aos shows. As crianças aprenderam a se comportar em silêncio enquanto o pai dedilhava no violão para a plateia. Negão dos Santos, também músico, era um desses guris.

“Ele gostava de silêncio quando estava se apresentando e a gente se acostumou a acompanhá-lo para onde quer que ele fosse. Com essa participação toda, não deu outra, virei músico também”, brinca Negão que, no final dos anos 1970, foi um dos fundadores do grupo Paranga.

E não era só na família que Elpídio, que durante o dia trabalhava como bancário, fez germinar a semente musical. Com habilidade para diferentes instrumentos, o compositor lecionava em escolas de São Luiz do Paraitinga, regendo corais e oferecendo aulas de música.

“Essa habilidade em vários instrumentos é herança do meu avô, que era maestro e tinha uma banda. Ele fazia com que meu pai aprendesse de tudo um pouco porque, caso alguém faltasse às apresentações, a responsabilidade de substituir era dele. Muita gente aqui na cidade acabou levando a sério a carreira artística por causa dessas aulas do meu pai”, conta.

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Elpídio deu aulas de música em S. Luiz

Reprodução

Em família
A dobradinha música e família continua dando o tom na casa dos Dos Santos. Junto com Negão, a esposa Renata Marques e a filha, Lia Marques, ambas cantoras, se incumbem de continuar tocando o Paranga e, consequentemente, a memória de Elpídio dos Santos.

“Nunca consegui ligar a imagem do meu avô à tristeza. Muito pelo contrário, sua obra está vivíssima na cidade e pelo país todo. As composições são muito atuais e a gente leva pra frente com muito orgulho a responsabilidade de manter vivo esse trabalho”, explica Lia.

Já Renata faz questão de lembrar que, ainda hoje, as músicas do sogro embalam temas de novela e continuam sendo interpretadas por cantores da atual MPB.

“Quando a gente ouve o Zeca Baleiro, Renato Teixeira, Zé Geraldo e tantos outros continuarem gravando as músicas do Elpídio, entendemos o tamanho de sua obra e como ela ainda atinge o coração das pessoas.”, comenta.

Carnaval
A pouco mais de 20 dias para o Carnaval, o Paranga já intensifica os ensaios nos preparativos para a festa. Como não poderia deixar de ser, o patriarca da trupe estará presente em suas composições.

“Aqui em casa é Elpídio, ‘Tupídio’, ‘Elepídio’. Sempre estamos conectados com sua obra e, para o Carnaval, já preparamos uma seleção de músicas dele para nosso repertório”, conclui Negão.

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