Após título, Juninho pensa em atuar pela seleção americana de futebol

Juninho está nos EUA há cinco anos e foi três vezes campeão da MLS

Escrito por: Rodrigo Ribeiro6 min de leitura
fundo_placeholder-023136

O joseense e jogador de futebol Juninho, saiu cedo de São José dos Campos para o São Paulo Futebol Clube, onde passou pelas categorias de base do tricolor. Na transação para a equipe profissional, o atleta acabou emprestado para o Los Angeles Galaxy, dos Estados Unidos, em 2010, onde permanece até hoje e já conquistou três títulos da MLS (Major League Soccer) -principal liga dos Estados Unidos- inclusive a edição deste ano.

Com a conquista em 2014, Juninho revelou em entrevista exclusiva para o Meon, sua vontade de atuar pela seleção americana de futebol. O bate-papo com o jogador, fez parte de uma série de entrevistas do Meon com vários jogadores joseenses, como Ricardo Goulart (Cruzeiro e irmão de Juninho), Léo Costa (Portuguesa), Everton Santos (Seul, da China) e Diogo Sodré (Coritiba).

“A seleção brasileira pra mim está mais distante, talvez pela MLS ser mais desconhecida pelo público brasileiro. Mas a seleção americana está muito mais próxima, há essa possibilidade, já sou residente nos Estados Unidos, internamente já comentei com outros jogadores sobre a minha vontade, mas foi interno, acabei de ser campeão, acho que seria uma boa pra mim e quem sabe pra seleção americana também” revela Juninho.

Como está sendo esta experiência nos EUA?
Quando fui pra MLS, pouca gente conhecia sobre a liga, eu mesmo desconhecia, e eu fui por uma oportunidade que o São Paulo estava me oferecendo bem na transação para o futebol profissional, onde não tive tanta oportunidade. Chegando lá em 2010 com Beckam, Donovan, Robbie keane, eu percebi a importância de jogar com jogadores desse nível, e graças a DEUS eu pude me firmar no time e hoje já são 3 títulos. Já me sinto muito experiente.

Como foi jogar com Beckam? Ser adversário do Henry?
Nos primeiros dias foi interessante, algo que eu nunca sonhava na minha vida jogar do lado de um astro como o Beckam, do Donavan, que é um ídolo da seleção americana e contra o Henry. Tinha outros nomes também, mas a liga vem crescendo muito e atuar ao lado desses grandes jogadores te faz adquirir muita experiência.

De 2010 até hoje, aumentou o público? A forma como eles tratam o futebol mudou?
Temos que pensar um pouco mais atrás, em 2007 quando o Beckam chegou foi muito importante pra liga que era desconhecida e com a chegada dele vindo do Real Madrid, os holofotes viraram para a liga. Quando eu cheguei, vi que a média de publico foi aumentando aos poucos, hoje, posso afirmar que os estádios estão sempre lotados, principalmente contra o Galaxy. A média no nosso estádio é de 20 a 25 mil pessoas por jogo. Lá vende o ingresso para o ano inteiro, é uma vantagem que os brasileiros estão tentando fazer com o sócio torcedor. Essa é a visão dos americanos, além disso, com a chegada de grandes jogadores como Lampard, Davi Villa e Kaká, a tendência dos fãs é acompanhar ainda mais.

E depois da Copa do Mundo, o que mudou na estrutura dos EUA? Público?
A MLS continua em crescimento, a ideia é até 2017 ter 22 times na primeira divisão da Liga, e pra isso, ela precisa se estender, dar mais oportunidades para cidades que estão se apresentando como o Atlanta, o Orlando City, do Kaká, New York FC, do Lampard, e o de Miami, que é do Beckam, um grande amigo meu, ele já pronunciou mas ainda precisa acertar uns detalhes, ele quer fazer um estádio no centro da cidade, mas existe toda uma burocracia pra isso, mas não podemos duvidar do Beckam porque ele tem muita influência.

E como é o Beckam?
É um cara muito boa praça, trata todo mundo muito bem, eu não tenho a bagagem que ele tem, e ele me trata super bem, talvez pela afinidade que ele teve com outros brasileiros durante a carreira. Teve até um fato engraçado, eu cheguei pra treinar, fui no meu armário e tinha um guaraná Antártica, ai entrei na academia e ele falou: você viu o guaraná que eu deixei pra você? Ele adora guaraná e os filhos dele amam [risos].

Como  você é tratado nas ruas de Los Angeles pelo público. Há o assédio?
Lá não tem muito esse assédio do povo brasileiro, acho que por Los Angeles ter muitos astros da televisão e do cinema mundial acaba interferindo. No basquete e futebol americano o assedio é grande porque todo mundo conhece, mas é aquilo o futebol ainda está crescendo, acho que o assédio vai existir mas é um longo prazo. Em alguns lugares já me reconheceram, o pessoal que gosta do futebol, principalmente o povo latino, mas ainda está bem longe de se comparar com o Brasil. O meu irmão não consegue mais andar tranquilamente [risos].

E vocês assistiram o 7 a 1 lá dos Estados Unidos? Como foi?
No dia do jogo estávamos bem confiantes, toda a família em casa, fizemos uma festa lá, repórteres para filmar a gente, convidamos o Donovan, levamos pandeiro, tantan, chamamos todo mundo do time, compramos salgadinho brasileiro, coxinha. Estávamos confiantes mesmo sem Thiago Silva e Neymar. O Donovan estava torcendo pra nós também. Ai começou o jogo, já saiu o primeiro, pensamos: beleza ainda dá, foi só um susto, em seguida, saiu o segundo, terceiro, quarto, os repórteres só filmavam o nosso rosto, o pandeiro já estava debaixo do sofá e ninguém acreditando no que via, eu como brasileiro e até os americanos se surpreenderam muito, foi humilhante, mas o que salvou esse dia foi churrasco que fizemos depois [risos].

Seu irmão foi convocado pelo Dunga para a seleção. Como você tem acompanhado a carreira dele?
Eu sempre acompanho de lá, tento assistir ao vivo os jogos do meu irmão, sinto muito orgulho dele, sempre acreditei no potencial dele, que se deu bem com o Marcelo Oliveira (técnico do Cruzeiro), que me parece muito justo, o Marcelo deu uma oportunidade pra ele apesar de ter tantas estrelas no time. Meu irmão comentou quando chegou lá que só tinha jogadores de renome e que ele teria que “comer grama”. Graças a Deus, ele está bem.

E como enxerga o futebol da seleção brasileira atualmente?
Acho que com a chegada do Dunga, dando oportunidade pra novos talentos do futebol brasileiro, e meu irmão é uma prova viva, o Everton Ribeiro também vem arrebentando, está fazendo certo em investir na garotada e mudar a cara da seleção, mostrar que também existe uma outra forma de jogar, pensar. Claro que vai faltar a experiência de um Ronaldinho, Kaká, Robinho, em jogos importantes, mas espero que a seleção tenha sucesso.

Atualmente, qual a situação do seu passe?
Não tenho mais vínculo com o São Paulo e tenho mais um ano de contrato com o Galaxy e mais dois anos de opção de renovação com eles, minha intenção é permanecer e quem sabe renovar ou ver outras coisas, eu penso em jogar na Europa, algum time na Espanha, ou do México mesmo, por estar ali perto de Los Angeles, quem sabe jogar lá do lado do Ronaldinho no Querétano, mas deixo meu futuro em aberto.

Tags:RegionalPublicado em:

Posts Relacionados