Como vivem os atletas que jogam por equipes da região?

Todos municípios com faculdades e universidades são repletos de repúblicas. Lá pessoas de diferentes regiões do país se juntam para morar e pagar um aluguel mais em conta. A maioria delas nunca se viu na vida e por isso, muitos locais tem suas próprias regras para melhorar o convívio e evitar discussões.

Escrito por: Fábio Figueira4 min de leitura
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Todos municípios com faculdades e universidades são repletos de repúblicas. Lá pessoas de diferentes regiões do país se juntam para morar e pagar um aluguel mais em conta. A maioria delas nunca se viu na vida e por isso, muitos locais tem suas próprias regras para melhorar o convívio e evitar discussões. Mas o viver e dividir a mesma moradia também é realidade para atletas de equipes de alto rendimento da região. É assim que vivem, por exemplo, atletas do São José Vôlei e do Handebol Taubaté.

Apesar de trabalhar com os resultados em quadra, a convivência em casa é sempre boa e pode melhorar ainda mais o rendimento em equipe. Pelo menos é o que garantem o ponta-esquerda André Soares, o Alemão, e o lateral-direito Daniel Zepan do Handebol Taubaté, que moram em uma casa no bairro Chácara do Visconde.

“É tranquilo, aqui em casa vivemos em cinco, cada um tem seu quarto, tem aquele respeito em relação a cozinha onde é preciso manter a ordem. Uma vez a cada 15 dias nós temos uma faxineira. Enfim, somos todos muito amigos, sempre tem aquela desavença de familia, mas de resto é tranquilo”, afirma Soares.

“O principal benefício é que a amizade melhora, o convívio traz um fortalecimento dentro de quadra. Aqui a galera se conhece há mais de oito, dez anos, isso traz uma alegria diferente e se aqui em casa tudo vai bem, dentro de quadra é melhor ainda, as pessoas ficam mais unidas”, completa Zepan.

As duas equipes têm quatro repúblicas cada, espalhadas pelas duas cidades. Fomos conhecer um dos apartamentos onde vivem quatro atletas do São José Vôlei. Os campeões da Superliga B estão alocados em um condomínio de prédios no Jardim Paulista. Lá “família” é a palavra de ordem.

“A gente sai de casa muito cedo, então acabamos transformando nosso ambiente para um clima familiar. Tem que ser como familia, nessa casa principalmente todos são muito amigos, então tudo o que a gente precisa fazer é estar disposto a entrar nesse clima”, diz o ponteiro Rodrigo Silva.

Lá também as desavenças quase nunca acontecem. Mas, ninguém escapa de pequenas discussões.

“Hoje em dia a gente já tem muito intimidade e acaba falando alguma coisa ou outra um pouco pesada, mas tudo se resolve. São discussões normais de convivência, eu sou um pouco chato, um pouco “capitão” da casa, se o companheiro de quarto estiver roncando a gente tem que dar uma cutucada para parar com o barulho (risos)”, ressalta o capitão da equipe Rodolpho Granato.

A rotina de treino é diária, mas, nas horas vagas, o videogame sempre é a principal opção na hora de se divertir. Mas há espaço para quem gosta de livros e de ouvir música, sem invadir ou atrapalhar o descanso do outro. Essa aproximação de amizade também serve para preencher o vazio deixado pela distância de casa. Renan Levandoski, que é de Rio Negrinho (SC), só consegue ver a família quando tem uma folga muito grande.

“A gente acaba se acostumando, na verdade temos que nos acostumar. Saímos cedo de casa e a gente nunca sabe onde nossa carreira vai nos levar. Estou há muito tempo longe de casa. Mas, sempre que dá um folguinha a gente vai”.

Após o título da Superliga B, conquistado no último fim de semana, os atletas do São José Vôlei foram liberados para tirar um merecido descanso. O próximo desafio será nos Jogos Regionais, que acontece em julho, em Caraguatatuba.

Já o time de Handebol de Taubaté está na disputa do Super Paulistão. Atuais campeões brasileiro e pan-americano, os atletas garantem que vão lutar para conquistar ainda mais títulos em 2014.

“A gente tem que pensar que está no zero a zero, que a gente está começando um novo trabalho agora e tem que treinar muito para conseguir superar os resultados do ano passado, que é tentar fazer todas as finais e fazer tudo para ser campeão novamente”, garante Alemão.

“Esse ano está bacana, vieram alguns reforços e ser campeão do Pan e da Liga Nacional é mais que um mérito pessoal é um negócio que vai ficar para sempre e por isso queremos e esperamos ganhar tudo, trabalhar para buscar todos os campeonatos possíveis”, finaliza Zepan.

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