Rodovia dos Tropeiros leva a cinco cidades dos ‘Barões do Café’
SP-68 corta Silveiras, Areias, São José do Barreiro, Arapeí e Bananal


Início da Rodovia dos Tropeiros, que leva aos municípios do Vale Histórico
Reprodução/MTBBrasilia
Em um passeio bem planejado pela Rodovia dos Tropeiros (SP-68) é possível experimentar volta no tempo por meio dos resquícios históricos que marcam cinco cidades da região — Silveiras, Areias, São José do Barreiro e Arapeí. A região foi a mais rica do país no auge do período do café, naquela época Arapeí era território do município de Bananal.
A SP-68 segue a rota do caminho percorrido pelos tropeiros do século XVII até XIX. Foi por esta estrada que D. Pedro I passou na viagem entre Rio e São Paulo, no ano de 1822, quando declarou a independência do Brasil em São Paulo.
É assim, impregnada de história, que a rodovia SP-68 oferece uma aula de história ao visitante. E o melhor, ao longo de 100 quilômetros de trajeto, as paisagens são de tirar o fôlego.
Em um feriado prolongado de três ou quatro dias é possível conhecer os principais atrativos de cada um dos municípios. Claro que será apenas um aperitivo, mas tão saboroso que com certeza fará você voltar e dedicar mais tempo a cada um deles.
O acesso à rodovia SP-68 fica no km 34 da Via Dutra, no sentido Rio de Janeiro.
Silveiras
A primeira parada é no município de Silveiras, cidade de fortes tradições tropeiras, que marcam principalmente sua gastronomia e seu artesanato. Por isso, uma parada em um dos restaurantes da cidade e uma visita aos artesãos, principalmente os que trabalham com madeira, são obrigatórias.
No auge de sua riqueza, no Ciclo do Café, a cidade chegou a abrigar 27.000 habitantes, hoje a população fica torno de 6.200 pessoas (IBGE/2017).
O município também tem um dos melhores acessos aos “campos da Bocaina”, região de vegetação nativa com altitude que pode chegar a 1800 metros.
Areias
A segunda escala é no município de Areias. O município que mantém boa parte das construções do período cafeeiro preservadas, como a Câmara, a Igreja Matriz Senhora SantAna, o hotel onde Dom Pedro I parou para dormir em 1822, e o prédio que foi morada do escritor Monteiro Lobato.
Além dos casarões e fazendas históricas, Areias conta com muitos atrativos naturais, como a represa do Funil e acesso a dezenas de trilhas e cachoeiras localizados na Serra da Bocaina.
São José do Barreiro
Em São José do Barreiro está o portal e a sede do Parque Nacional da Serra da Bocaina, que se estende por todos os municípios do Vale Histórico. Administrado pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Biodiversidade), o parque é uma das maiores áreas protegidas da Mata Atlântica, com 104 mil hectares.
Além do patrimônio histórico, formado por casarões, cemitério com túmulos de escravos e pela Igreja Matriz da cidade, muitas fazendas do período de ouro do café estão preservadas e podem ser visitadas, algumas com agendamento prévio, como a Fazenda Pau D’Alho e a Fazenda da Barra.

Vista geral de Arapeí, uma das cidades do Vale Histórico
Nome do fotógrafo
Arapeí
No período dos Barões do Café, Arapeí ainda era território de Bananal, município mais rico do Brasil naquela época. Algumas fazendas ainda preservam sinais dessa época de ouro, mas os principais atrativos de Arapeí são mesmo suas belezas naturais.
Conhecida como ‘oásis verde’, Arapeí possui dezenas de cachoeiras e trilhas, que podem ser percorridas a pé, de bicicleta, de moto ou com carros 4×4. Há opções de passeios para todas as idades. O município ainda abriga uma caverna repleta de estalactites e estalagmites.
Em Arapei também se encontra o Restaurante da D. Licéia, que foi tema de uma reportagem no The New York Times. O local, apesar da simplicidade típica dos restaurantes rurais, possui até heliponto para receber empresários e turistas.
Bananal
Passear pelo centro de Bananal ou por suas fazendas históricas é como viajar no tempo, retornando para o período em que o município possuía sua própria moeda. Naquela época, os Barões do Café de Bananal avalizavam os empréstimos da Coroa com os lucros das plantações e do tráfico dos escravos.
Entre os passeios imperdíveis em Bananal estão a Estação Ferroviária e as fazendas Resgate e Boa Vista, que já foi cenário de filmes e novelas de época.
Além de ter parte do seu território dentro do Parque Nacional da Serra da Bocaina, Bananal ainda possui uma estação ecológica, instalada para preservação dos remanescentes de Mata Atlântica do Estado de São Paulo e base para pesquisas ambientais. A região possui picos com mais de 2.000 metros de altura.

