A infância

Essa semana passei um tempo além do normal pensando em um assunto: a infância. Ao olhar uma foto minha com uns cinco ou seis anos, comecei a devanear sobre como eu me sentia nessa época da minha vida. Ao forçar um pouco a minha memória horrorosa me lembrei de como eu me sentia feliz. Puramente […]

Escrito por: Meon Redação3 min de leitura
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Essa semana passei um tempo além do normal pensando em um assunto: a infância. Ao olhar uma foto minha com uns cinco ou seis anos, comecei a devanear sobre como eu me sentia nessa época da minha vida. Ao forçar um pouco a minha memória horrorosa me lembrei de como eu me sentia feliz. Puramente feliz. Era uma época tão boa, quando eu não conhecia o lado ruim do mundo. Devia ser tão bom poder sair na rua com uma falsa sensação de segurança, o maior medo imaginável era o lobo mau dos contos de fadas. Como dizem, a ignorância é uma benção, e eu sinto falta de ser tão ignorante.

E esse assunto começou a martelar mais forte na minha cabeça ao assistir um episódio de uma série infantil antiga, que retratava de um jeito tão perfeito a adolescência, e isso me fez lembrar do porquê da urgência para crescer. A mídia retrata a adolescência de uma forma tão linda e despreocupada, mas que não é real. Na verdade, ao olhar para trás, sinto uma falta tremenda da minha infância, da época que eu podia fazer o que quisesse sem ser julgada, daquela expectativa de se tornar um adolescente, de não saber sobre, e muito menos ligar, para os problemas do mundo.

Agora, é difícil viver a adolescência que eu passei anos planejando. É tanta preocupação, notas, trabalhos, provas, que não sobra tempo para viver a adolescência prometida pela televisão. Passo tanto tempo fazendo planos sobre o meu futuro, estudo para aprender a matéria que vai cair no ENEM, para passar na faculdade, para ter uma boa vida, para constituir uma família, e por aí vai indo até o dia em que passamos dessa para melhor. Passei muito tempo pensando nisso, em como vivemos nossas vidas, que acabei por perceber que nossa vida nunca é vivida como deveria. Passamos cada fase de nossa vida planejando a próxima, pensando em como será o próximo passo, tanto que esquecemos de viver o agora.

Olhando para trás, percebo que um dos meus poucos arrependimentos é de não ter vivido direito a minha infância, de sempre ter me preocupado em amadurecer e me tornar mais velha e de ter esquecido de aproveitar a minha época de criança. Agora, minha mais nova missão, por mais clichê que seja, é tentar reviver a minha infância, achar a criança perdida dentro de mim, sem perder a minha adolescência e tudo isso dando um jeito de não sair da linha para não estragar o meu futuro.

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