A verdade sobre malévola

Semana passada, Hollywood se orgulhou em lançar o mais novo filme da Disney: Malévola. Estreado pela magnífica Angelina Jolie e dirigido por Robert Stromberg (diretor novato, mas qualificado em efeitos especiais em filmes como “Avatar” de James Cameron) é uma adaptação, como todos sabem, do clássico “A Bela Adormecida” de 1959. Enquanto muitos gostaram do […]

Escrito por: Meon Redação4 min de leitura
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Semana passada, Hollywood se orgulhou em lançar o mais novo filme da Disney: Malévola. Estreado pela magnífica Angelina Jolie e dirigido por Robert Stromberg (diretor novato, mas qualificado em efeitos especiais em filmes como “Avatar” de James Cameron) é uma adaptação, como todos sabem, do clássico “A Bela Adormecida” de 1959. Enquanto muitos gostaram do que viram, eu me decepcionei apesar de ser um lançamento que eu esperava ansiosamente. O que eu aponto aqui é apenas a minha opinião e meras críticas a partir do meu ponto de vista. Não contém nenhum “spoiler” e as informações são facilmente observadas nos trailers e clipes divulgados pelos Estúdios Disney.

Primeiramente, um critério muito importante em adaptações de contos de fadas é sua fidelidade com a animação original. No novo filme, não vemos nenhum desses elementos que eu, pessoalmente, esperava na nova versão. Por exemplo, a bruxa má que vemos na animação de 59 é difícil de ser encontrada. A impiedosa e cruel Malévola apenas é vista na cena no batizado, que dura menos de cinco minutos. No decorrer do filme, ela se apresenta como uma pessoa dolorida por mágoas passadas (como perder suas asas e amaldiçoar Aurora) e sem mais nenhum aspecto apelativo em sua personalidade. Outro fator é que não é Angelina que se transforma em dragão, e sim seu corvo, algo que me irritou profundamente, já que retirou tudo o que chamava a atenção no personagem original. Se você espera ver uma versão surpreendente de “Bela Adormecida”, esse é o filme errado, já que extinguiu tudo o que era apelativo no clássico, das menores coisas (como as personalidades interessantes do trio de fadinhas) até as mais monstruosas (como o relacionamento instigante entre a princesa e o nobre Felipe).

Quanto a Angelina Jolie, não há nada para se reclamar em atuação, no entanto quando ela podia retratar a crueldade da bruxa. A atriz com certeza foi perfeita para o papel, mas foi vítima do pobre roteiro do filme e em minha opinião, havia muito mais para se aproveitar em suas qualidades. É claro que a premissa do filme era reinventar a história ao focar em Malévola e atribuir moralidade em como ela se tornou má, mas isso foi muito controverso por apresentar cenas de violência desmotivada no final e por enaltecer a vingança (na cena do batizado), não retirando a fórmula clássica de vilões da Disney e acrescentando outro sem ser a bruxa (o rei). Por mim, não cumpriu em ser um filme especialmente para crianças (a censura é para dez anos). Aurora (Elle Fanning), também saiu prejudicada por não receber muita atenção na história, mas não deixa de transmitir perfeitamente as qualidades e virtudes de uma princesa. Com fidelidade à animação, Fanning se mostrou totalmente capaz em ser graciosa e espontânea, mas não ganhou foco nenhum.

Também, tudo aconteceu muito rápido. As coisas que eu queria ver, se é que apareceram, como a cena do batizado, foram absurdamente rápidas. Há várias incoerências e buracos no roteiro que apenas mostram uma enorme falta de criatividade. Não vou falar nenhuma delas para não dar “spoiler” algum, mas são gritantes no decorrer da longa e que evidenciam que nenhum personagem foi bem desenvolvido. Novamente com a Disney, a divulgação foi alta, mas foi o núcleo do filme foi fraco em detalhes mesmo não comparando com o clássico.

O motivo pela maldade: traição do Rei Stefan, que se envolve amorosamente com a fada, é muito clichê. Como em “Oz: O Grande e Poderoso”, a moça é enganada e se dedica totalmente à vingança. Esse tipo de trama é frequente nos filmes da Disney, o que ficou bom em algumas longas-metragens, mas cansativo em “Malévola”. Também, transmite uma imagem errônea sobre as mulheres como seres frágeis e dependentes dos homens (características predominantes nas princesas da Disney). Enquanto a preocupação de “Frozen” era retratar uma princesa independente e sem amarras dos relacionamentos amorosos, o que aconteceu aqui foi o contrário. Foi um filme bombardeado de clichês, principalmente em seu fim.

Não vou negar que “Malévola” é divertido e tem várias qualidades positivas (o mundo mágico e novo que apresenta), porém as minhas expectativas eram altas e por mim se mostrou como um filme vazio e que prometeu demais. É impressionante como tudo o que anda agradando o público é o visual de uma produção de Hollywood. Todos deviam ver e tirar suas próprias conclusões. Fiquei triste em comentar negativamente sobre ele, mas foi uma questão de opinião. O lançamento foi dia 29 de maio e deve permanecer em cartaz por algumas semanas.

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