A arte na psiquiatria
A importância da expressão não-verbal para o entendimento da inconsciência

Durante o reinado de Dom Pedro II, mais especificamente em 1852, foi inaugurado o primeiro hospital psiquiátrico do Brasil. Apelidado de “Palácio dos Loucos”, serviu de modelo para o surgimento de outros manicômios da época, que tinham como principal função a exclusão de pessoas consideradas indesejáveis pela sociedade.
As explicações científicas para doenças mentais ainda não eram muito conhecidas, dificultando ainda mais o tratamento desses indivíduos. Porém, na década de 80, ganhou força o movimento da Reforma Psiquiátrica.
Consequência da Reforma Sanitária (anos 70) significou a mudança de postura do país em relação às práticas desumanas e condições deploráveis nos hospitais psiquiátricos da época.
Marca-se o surgimento do primeiro Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) em 1987, que visa a substituição do asilamento por novos métodos de tratamento, entre eles, oficinas artísticas que permanecem sendo utilizadas até os dias de hoje.
Contudo, a arte como tratamento já era estudada décadas antes da reforma. No Brasil, uma figura que colaborou muito para essa transformação foi Nise da Silveira (1905-1966).
A médica se mostrava totalmente contra os métodos aplicados em manicômios de sua época, preferindo técnicas artísticas, que auxiliavam na expressão dos conflitos mentais dos pacientes. O tratamento se mostrou efetivo até mesmo para os casos mais graves, tornando-a reconhecida nacional e internacionalmente.
Fora do Brasil, Sigmund Freud (1856-1939) também abordava sobre a arte em seus estudos de psicanálise. Segundo o médico, todos os artistas, por meio de suas representações, expressam desejos profundos, inicialmente reprimidos do inconsciente. Com pessoas acometidas por doenças mentais, não é diferente.
Tais símbolos retratados quando analisados e compreendidos, podem levar aos melhores caminhos para o tratamento de transtornos. Além disso, ainda na visão de Freud, a arte também possibilita o autoconhecimento e melhor aceitação das emoções da parte daquele que produz.
Desse modo, é notável que a expressão artística, independente de sua forma, pode ser uma grande aliada no combate ao asilamento e ao preconceito com relação aos pacientes de hospitais psiquiátricos. Afinal, de acordo com o artista plástico Alberto Giacometti (1901-1966), “a arte e a ciência consistem em tentar compreender”.
Com supervisão de Nicole Almeida.
Apoio ao Talento:

Aluna do 2° ano do Ensino Médio do Colégio Embraer - Juarez Wanderley, em São José dos Campos
