A dificuldade e a falta de reconhecimento no mundo da dança
São enfrentados problemas financeiros e diversos preconceitos em todas as etapas desse processo que dura apenas alguns anos

A dança existe desde a pré-história, quando os humanos perceberam que batendo os pés no chão podiam fazer diferentes sons e ritmos. Com a descoberta de que as mãos poderiam ajudar nesse meio, a dança se tornou algo presente para nossos antepassados.
Fazendo parte de rituais religiosos ou até mesmo como uma peça de teatro, a dança se tornou uma arte muito presente nos anos 2000 a.C, principalmente no Egito e na Grécia.
No Egito, ela era uma forma de agradecer aos deuses por seus feitos. Já na Grécia era usada para celebrar os jogos olímpicos.
Durante o período renascentista, a dança surgiu com um caráter teatral. Por esse meio, o balé e o sapateado se tornaram grandes estilos para as apresentações já que dependiam de figurino, iluminação, música e cenário para compor a peça.
Atualmente, diversas pessoas ficam arrepiadas ao ver uma apresentação de balé, street dance, hip hop, sapateado ou qualquer outro estilo de dança que foi se desenvolvendo com o tempo. Mas por que esse pilar da arte é tão desvalorizado na nossa sociedade?
Conseguir um lugar nessa indústria é algo que muitos dançarinos anseiam e sonham desde pequenos. São horas de ensaio todos os dias, aceitam as menores oportunidades com a esperança de conseguirem o reconhecimento que merecem, mas quando ele vai chegar?
Além de precisarem passar horas treinando, o preconceito também é muito presente nessa área. Você precisa ter o corpo perfeito, o rosto perfeito, a pele perfeita e, na maioria das vezes, ser mulher.
A seguir, temos alguns relatos que aparecem nos documentários, disponíveis no Youtube, “Now United – Meet Josh from Canada” e “Now United – Meet Sofya from Russia“, respectivamente:
Josh Beauchamp começou a dançar com 6 anos e já ganhava diversas competições, mas, por ser homem e a dança ser considerada um esporte feminino, ele sofria muito bullying na escola e praticamente não tinha amigos em quem pudesse confiar.
Muitas vezes pensou em ir mal em competições e até mesmo parar de seguir o seu sonho por não ter amigos. Sua maior fonte de esperanças era sua própria família.
Sofya Plotnikova nunca teve o corpo “padrão” e isso fez com que sua própria professora de balé, que dava aulas na melhor academia do país, fizesse comentários extremamente ofensivos, como: “Você é gorda! Você é feia! O que você está fazendo aqui? Vá embora! Pare de chorar!” Tudo isso por ela ser quem era.
Nessa indústria, existe muita pressão em jogo, tanto nas suas primeiras aulas, quanto na incerteza de um futuro em que você consiga sobreviver financeiramente.
Segundo o coreógrafo Ivaldo Bertazzo, um dançarino consegue ganhar “razoavelmente bem” se participar de uma academia de dança reconhecida ou atuar no exterior, recebendo em média R$ 5 mil por mês.
Além de problemas financeiros, problemas físicos também podem surgir. Por fazer tanto esforço com o próprio corpo, a maioria dos dançarinos só conseguem permanecer nesse ramo por mais ou menos 20 anos.
Mais um ponto que mostra que nessa área poucos são conhecidos é que provavelmente você não se lembra de nenhum dançarino que tenha lotado um estádio apenas por dançar, assim como cantores fazem todos os meses, certo?
Praticar um esporte que cobra tanto do seu psicológico e do seu próprio corpo não é algo fácil, exige muita força de vontade e uma determinação incomparável. Mas imagine como deve ser pior ainda não ter o menor apoio de quem deveria ser o seu público.
Com supervisão de Nicole Almeida.
Apoio ao Talento:

Aluna do 1° ano do Ensino Médio do Colégio Anglo Cassiano Ricardo , em São José dos Campos
