A dominância humana

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Escrito por: Daniel Sega5 min de leitura
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O termo espécie tradicionalmente é apresentado na biologia como um conjunto de organismos vivos que habitam a mesma região, e são capazes de gerar descendentes férteis. A história da humanidade, desde sua origem humilde, vem demonstrando que a espécie Homo sapiens é um ser vivo diferenciado, pois foi capaz de se dispersar por todos os continentes, e atingir uma população de alguns bilhões de seres humanos.

Segundo os cálculos demográficos a população humana tem apresentado um crescimento sem precedentes nos últimos séculos, barreiras consideradas inatingíveis para outros seres vivos foram superadas. O impacto humano já pode ser detectado em todos os ecossistemas da biosfera, a extinção por causas antrópicas se tornou uma normalidade na vida de qualquer humano comum. Todo esse rastro de destruição é resultado da busca do homem pela dominância.

O crescimento demográfico acentuado remonta um período muito recente e curto para a totalidade da espécie humana, especialmente nos últimos 500 anos. No ano de 1500 a população humana era estimada em 450 milhões, porém, atualmente pesquisas apontam para 8 bilhões de habitantes.

No meio natural as espécies são controladas por fatores como a competição, falta de recursos e enfermidades . Por exemplo a última população de mamutes-lanosos tem seu último registro há 4 mil na Ilha de Sant Paul, localizada no Mar de Bering. O desaparecimento destas criaturas gigantescas se deu pela falta de recursos, principalmente água, levando em consideração que um elefante atual bebe cerca de 100 litros de água ao dia, a ilha não demonstra um habitante tão aprazível para espécies de grande porte.

O Homo sapiens há muito tempo não sofre com a competição direta com nenhum outro ser vivo, devido a capacidade única de usar os recursos naturais para criar ferramentas. O homem foi capaz de se tornar um grande predador de topo, eliminando qualquer um que se colocasse no caminho da humanidade.

A humanidade continuou seu avanço e desenvolveu técnicas de agricultura, desde um simples movimento de jogar sementes num solo, até processos atuais e complexos envolvendo condições químicas e maquinário pesado. A partir da agricultura, somada a domesticação de animais, a falta de recursos deixou de ser um fato tão cotidiano. Na atualidade boa parte do planeta se tornou uma espécie de plantação ou pasto para alimentar os bilhões de humanos que o habitam.

O crescimento humano foi desproporcional a quantidade de espaço e recursos de determinada regiões, o que obrigou a humanidade a se dispersar em todos os continentes, e como consequência passou a destruir a fauna e flora nativas. Após a revolução industrial o homem largou o meio rural para se amontoar em cidades, que a princípio eram apertadas e sujas, para os padrões sanitários e estéticos atuais.

O principal rompimento da humanidade com o meio natural, se deu após a humanidade desenvolver a capacidade de criar medicamentos, até meados de 1500 a mortalidade humana era muito alta, o que realizava o controle populacional e abaixava a expectativa de vida, variando entre 20 e 35 anos.

O ser humano possuí uma capacidade única de utilizar os recursos de forma criativa, ou seja, a partir de ideias metafísicas criar objetos físicos. A cada novo método de produção que é desenvolvido, traz um complemento para ideias anteriores, ou seja, as tecnologias humanas são sabiamente somadas, buscando atingir um objetivo cada vez mais aprimorado.

A partir da observação da natureza e desenvolvimento da ciência, a humanidade foi capaz de desenvolver produtos que evitavam a morte por doenças e enfermidades. Assim foi quebrada a última barreira que impedia a população de se multiplicar efetivamente. A mortalidade infantil se reduziu de forma drástica nos últimos duzentos anos.

A dominação planetária trouxe novos problemas nunca imaginados, civilizações na antiguidade acreditavam piamente que esse planeta era praticamente inesgotável. Porém desde a circum-navegação da tripulação de Fernão de Magalhães cada vez mais este planeta tem se tornado pequeno, para tantos humanos.

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Rota utilizada por Fernão de Magalhães em sua circum-navegação (BBC)

É extremamente difícil encontrar uma localização em que verdadeiramente nenhum ser humano atracou, cada ilha remota possui algum impacto humano. Os resíduos plásticos produzidos pela humanidade já atingiram desde regiões profundas no Oceano até a atmosfera. Estima-se que cada humano ingere cerca de 5 gramas de micro plástico por semana, o equivalente á um cartão de crédito.

Todos os seres humanos têm esgotado o planeta Terra, em um consumo desenfreado, muito mais do que a capacidade de restauração própria da biosfera. O equilíbrio praticamente edênico do Holoceno tem se rompido, os impactos humanos devem ser repensados.

Caso mudanças não ocorram, pesquisas apontam para uma intensificação das condições inapropriadas para a vida, principalmente para o próprio Homo sapiens. De tal forma que decisões sustentáveis devem ser tomadas urgentemente para resolver os incidentes causados pela ambiciosa busca por dominância sobre o planeta.

Com Supervisão de Isabela Sardinha, jornalista do Meon Jovem.

Daniel Sega
Daniel Sega

2° ano do Ensino Médio - Alpha Lumen - SJC

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