A pandemia para os povos indígenas
Número de casos de Covid-19 em indígenas já chega a 24,5 mil, de acordo com a Articulação dos Povos Indígenas do Brasil

Povos indígenas por todo o país sofrem, assim como o resto da população, em meio à pandemia do novo coronavírus. Entretanto, esses grupos têm muito menos acesso a recursos preventivos e curativos contra a Covid-19.
Muitos casos têm sido negligenciados pela Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), que contabilizava 19,1 mil casos da doença até o último dia 13, enquanto o número real, contabilizado de forma independente pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), já ultrapassava 24,5 mil.
A primeira ocorrência do novo coronavírus entre povos originários foi confirmada no dia 1 de abril, em uma jovem de 20 anos. A partir daí, muitas outras pessoas foram atingidas.
Na última semana, cinco crianças com menos de dois anos foram levadas para o Hospital de Guarnição, no Amazonas, com quadros de desidratação e suspeita de Covid-19.
Todas viviam em uma aldeia na região da tríplice fronteira entre o Brasil, Venezuela e Colômbia, em umas das áreas mais preservadas da Amazônia, juntamente com outras 750 comunidades.
Muitos dos grupos possuem tradições e costumes que envolvem contato social e compartilhamento, atividades que precisaram ser deixadas de lado para praticar o distanciamento social.
Além disso, estudos indicam que indígenas estão mais suscetíveis e vulneráveis à epidemias do que não-indígenas, em função de suas condições sociais, econômicas e de saúde. Muitos moram longe dos serviços de saúde, como foi o caso dos cinco bebês que tiveram que ser transportados por um avião do exército até o hospital.
O Supremo Tribunal Federal (STF) propôs medidas de proteção para grupos indígenas em meio à pandemia, levantando barreiras sanitárias que consideram as particularidades de cada povo. O governo de Jair Bolsonaro, no entanto, não as colocou em prática.
Eloy Terena, advogado indígena, afirmou em entrevista ao Jornal El País que o plano é ineficaz. “A barreira sanitária não é apenas física, ela deve incluir, por exemplo, os protocolos elaborados por médicos que trabalham com comunidades indígenas”, disse.
Afetando hoje 146 povos, a Covid-19 coloca centenas de anos de conhecimento sobre a natureza e cultura em risco. Enquanto os recursos necessários não chegam, cabe aos indígenas cuidarem de si mesmos.
“Os remédios caseiros e a sabedoria tradicional dos nossos povos foram nossa salvação”, destaca Marivelton Barroso, coordenador da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN).
Com supervisão de Nicole Almeida.
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Aluna do 3° ano do Ensino Médio do Colégio Embraer - Juarez Wanderley, em São José dos Campos
