As sangrentas raízes da miséria latino-americana

As condições socioeconômicas vigentes da América Latina não são senão uma consequência da exploração estrangeira, aponta a obra “As Veias Abertas da América Latina”

Escrito por: Felipe Almeida Santos3 min de leitura
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“As Veias Abertas da América Latina” é um livro escrito pelo jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano e foi lançado em 1971, chegando no Brasil ainda na década de 70 pela editora Paz e Terra. Representando um marco para o pensamento de esquerda do século XX, traz ao leitor de forma simples e condensada uma visão anticolonialista, expondo razões da pobreza e subdesenvolvimento atuais da América Latina como um todo. A obra detém um caráter atemporal, já que aponta que a reverberação e os impactos dos mais de 500 anos de exploração da América Latina permanecem vigentes nos dias atuais.

Eduardo Galeano almejava, inicialmente, que o livro fosse de economia política, “mas eu não tinha o treinamento e o preparo necessários”, como afirmou o próprio autor anos depois. Entretanto, tal decepção não foi um fator impeditivo para que a obra se tornasse um clássico e formasse a mentalidade de gerações.

A construção do livro se dá com a apresentação de uma linha do tempo da História Geral da América Latina, a partir da chegada dos primeiros colonos europeus, em 1500, até o início da década de 1970. Tratando desde a exploração do ouro no atual México e da prata na atual Bolívia, passando pelas monoculturas de cana-de-açúcar no Nordeste Brasileiro e Caribe, indo até a chegada das companhias multinacionais americanas na América Latina. A obra é carregada de referências bibliográficas e expõe de forma simples e crua como se deu, e ainda se dá, a exploração das terras e dos povos latino-americanos.

E tal exploração, segundo a obra, não poderia ter como consequência senão o subdesenvolvimento latino-americano. Os países da América Latina foram concebidos como colônias e permanecem, na prática, nesta condição até a atualidade. Essa característica os obrigou a arcar com os custos do desenvolvimento dos países do Norte, visto que desde os recursos naturais até a barata mão-de-obra constituíram-se como fatores chave para o êxito econômico europeu e norte-americano.

Assim como as bases da miséria latino-americana, Eduardo Galeano expõe também com maestria o desenrolar dos processos coloniais, marcados por atos violentos e brutais contra os povos originários, que, além de serem exterminados, foram forçados a sujeitar-se às condições desumanas características desses processos, tudo em nome do desenvolvimento econômico das potências colonizadoras.

A obra, portanto, é tida como leitura obrigatória para aqueles que desejam compreender como se constituiu a América Latina e os efeitos práticos do processo de colonização, sendo essa uma excelente maneira de se conhecer a história. Essencial para que erros passados permaneçam somente no passado e fazer paralelos com a atualidade, já que os moldes da exploração exercida pelas potências mundiais sobre os países latino-americanos ainda são os mesmos dos tempos coloniais, variando somente nos métodos empregados.

Com supervisão de Yeda Vasconcelos, jornalista do Meon Jovem.

Felipe Almeida Santos
Felipe Almeida Santos

2º ano do Ensino Médio - Colégio Embraer Juarez Wanderley - São José dos Campos

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