Áustria: um país que já controlou o coronavírus
Brasileiras que moram na Áustria dão entrevista ao Meon Jovem

O Meon Jovem entrevistou, no dia 14 de julho, duas brasileira que moram na Áustria. Natalie Lucasech e sua filha, Mariana, nos responderam algumas perguntas sobre como estava sendo o retorno das aulas e o controle da pandemia onde moram.
“A partir do dia 16 de março entramos em quarentena oficial, obrigatória pelo governo. A gente só poderia sair para fazer caminhadas ou esportes ao ar livre, com a família da sua própria casa, para ir a médicos, farmácia, supermercado e atividades extremamente necessárias”, disse Natalie.
Na Áustria, a data da primeira infecção pelo coronavírus foi, pelo menos, uma semana antes do primeiro caso no Brasil.
“A situação foi controlada bem rapidamente. Primeiro porque o governo investiu amplamente em testes, então todos eram testados ao menor sintoma. O governo fez muito rapidamente com que a população entendesse a necessidade das medidas de segurança. E de várias formas: pela televisão, contatos, mídias sociais, cartinhas em casa, uma série de coisas.
Segundo, porque a educação do povo é muito diferenciada. Os europeus, de um modo geral, costumam obedecer muito às regras de respeito à autoridade. Então aqui funcionaram muito bem as regras”, contou a emigrante.
Nas escolas, houve quatro datas que o governo estabeleceu, junto com o Ministério da Educação, para o retorno das aulas em etapas.
Primeiro, no dia 4 de maio, voltaram os estudantes que iriam fazer o vestibular, ou seja, o 4° ano do Ensino Médio – no país, são quatro anos de EM.
Quinze dias depois, o Ensino Fundamental 1 e 2 e a Educação Infantil retornaram. Em seguida, voltaram as escolas técnicas e estágios – isso em um intervalo de 15 dias.
A última etapa foi depois de uma semana, quando voltaram o primeiro, o segundo e o terceiro ano do Ensino Médio.
Assim, o governo conseguiu acompanhar cada etapa de retorno às escolas, que só foram reabertas com todos os cuidados exigidos. Se alguém fosse infectado, a escola fecharia imediatamente e todos os funcionários, professores e alunos seriam obrigados a ficar de quarentena junto a suas famílias.
Os estudantes que estavam no grupo de risco ou que não se sentiram confortáveis para voltar às aulas em meio à pandemia continuaram a fazer aula online.
Natalie comentou que o governo não podia deixar as crianças em suas casas por muito tempo pois os pais tinham que trabalhar, ainda mais por conta da economia.
Segundo ela, a Áustria é um país com uma ótima condição de vida para muitas pessoas, e estas poderiam ficar sem o trabalho por um maior período de tempo.
Já para os demais, o governo teve a ideia de ajudá-los pagando uma parcela em torno de R$ 750 por filho para todos os trabalhadores que tiveram carga horária reduzida.
Dessa forma, muitas empresas puderam reduzir a jornada de trabalho dos funcionários para 80%, enquanto o governo pagava os 20% restantes do salário, também incluindo os emigrantes legais.
Perguntamos também para a imigrante se o país ainda estava em quarentena. Sua resposta foi que no início de junho todo o país voltou a ser como era antes da pandemia, mas é claro que ainda com medidas de observância e regras a serem respeitadas pela população, como uma quantidade limitada de pessoas em reuniões e celebrações e também a obrigatoriedade do uso de máscara e demais cuidados.
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Com supervisão de Nicole Almeida, jornalista do Grupo Meon.
Aluna do 7° ano do Ensino Fundamental II do Colégio Luce Prima, em São José dos Campos
