Birthday Card – Uma história completa

Essa tiktoker escreveu um álbum de poesia e você realmente deveria ouvi-lo

Escrito por: Carolina Quadros Motta Bastos4 min de leitura
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O Início.

No meio do ano passado, Laur Wheeler recebeu um envelope do ex-namorado – alguém a quem havia pedido um corte de contato, alguém com quem não falava há meses. Era um envelope gordo, branco, com apenas um direcionamento, “Lauren”, e uma mensagem (em tradução livre):

“P.S. (Pré-Roteiro)

Eu te escrevi um cartão muito menor com muito mais palavras, mas enquanto estava me preparando para a jornada para casa, eu vi essa monstruosidade e percebi que não poderia superá-la nem se eu tentasse. Eu espero que você esteja bem e espero que você esteja boa. Tenho um sentimento que esse verão será o primeiro de uma coleção de verões fantásticos.

Feliz Aniversário, Laur”

Leia essa mensagem e se pergunte: o que você espera encontrar dentro do envelope? Algo significativo, uma foto, uma lembrança. Esse homem nunca havia entrado em contato com Wheeler após um final de relacionamento conturbado com traições e decepções, e manda isso para ela.

Voltando à pergunta, se sua resposta foi um cartão do Homem-Aranha sem nada mais escrito, você acertou. (E se você acertou, por favor me conta como prever o futuro porque eu tenho certeza que isso foi bem imprevisível).

Imagina essa quebra de expectativa. Para Lauren, mas par todos que ficaram investidos na trama. O jeito fácil de sair disso seria dar umas risadas, lançar uns xingamentos e maldições contra o bendito ex, e deixar tudo cair no esquecimento, como tudo cai no TikTok.

Lauren não queria o caminho mais fácil. Suas palavras foram que esse cartão – quase uma pegadinha – parecia “uma peça de arte de performance”. Então, para memorizar a história e torná-la parte de uma coisa muito maior, ela decidiu fazer sua própria arte de performance.

A Jornada.

Wheeler é, sem dúvidas, uma artista, uma poeta. Em seus anos de faculdade ela escreveu uma estrofe que na verdade foi selecionada para uma exposição artística. Sua ideia inicial, então, era escrever poemas inspirados nessa pequena – e última – mensagem deixada do lado exterior do envelope.

Ela escolheu palavras para a inspirarem (“stocking up”, “monstrosity”, “summer streak”) e outras que se encaixavam no contexto do fim do seu relacionamento com o ex em questão. Ela escreveu, em tempo e acompanhamento real de muitos seguidores que adquiriu no Tiktok, todos esses poemas, levando meses e noites mal dormidas e memórias relembradas e lágrimas caídas para atingir um resultado. Um resultado que representa tanto, para tantos indivíduos.

O Resultado.

O que originalmente eram poemas, de todos os tamanhos e estilos, transformaram-se em músicas (o que nos leva a uma outra questão de como a música é sim incrível.) Músicas dos artistas mais variados, dos gêneros mais variados. Todas saídas de uma mesma mente, de um mesmo coração, mas trazidas ao mundo de formas incrivelmente diferentes.

Foi lançado um álbum – Birthday Card –, com 12 partes, a primeira e a última recitadas por vozes de gente aleatória, de gente que ama, e as do meio cantadas pelas vozes das mais diversas pessoas.

O Sentimento.

Não sei o que me puxa tanto para essa história. Eu lembro de ter me encontrado com ela em seus estágios iniciais: lembro de acompanhar a trama do envelope, o surgimento da ideia, os dois primeiros poemas, talvez. Lembro de ter seguido a tiktoker, ter me interessado pela sua proposta, ter me comprometido em acompanhá-la. Ela caiu no meu esquecimento.

Não pensava em nada sobre até que recentemente me deparei com um vídeo seu montando o primeiro áudio do álbum – com vozes de incontáveis pessoas espalhadas através do mundo todo. Isso me encantou (para quem não sabe, tenho um fascínio muito grande pelo que faz a humanidade ser humana, e ver que tanta gente se juntou para gravar um só áudio de um só álbum, que uma coleção de sons representa emoções de tantos indivíduos, bom, me encantou).

Retornei para escutar o álbum completo, e, por mais que todos os poemas e músicas sejam sim muito bons, não acho que foi o que me compeliu a escrever e compartilhar essa experiência.

Acho que o que me pega nesse projeto todo é a emoção, tão crua, tão individual e tão compartilhada. É ver que um sentimento de finalização, apresentado por apenas uma mulher aleatória do meio da América do Norte, tocou tantas pessoas e aproximou tantas outras. É perceber que arte é sim toda e qualquer forma de expressão e, sinceramente, é uma das melhores.

Com supervisão de Yeda Vasconcelos, jornalista do Meon Jovem. 

Carolina Quadros Motta Bastos
Carolina Quadros Motta Bastos

Aluna do 3° ano do Ensino Médio do Colégio Embraer - Juarez Wanderley, em São José dos Campos

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