Camilli Miranda: a BRABA

Conheça mais sobre a artista Camilli, que vem ganhando destaque no cenário do Rap em São José dos Campos.

Escrito por: Kauan Mendonça Lopes4 min de leitura
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Diretamente da zona sul de São José dos Campos, Camilli é uma artista independente integrada no meio artístico do Hip-Hop, que atua dentro do movimento há dois anos e carrega as raízes do ritmo desde o berço. Responsável pelos hits ‘’Não é questão de estética’’ e ‘’Braba’’, Camilli dá palestras nas escolas da cidade falando sobre as questões que envolvem a vivência da juventude negra periférica, além de realizar shows em eventos culturais e participar de inúmeros projetos de caráter social. Além disso, a artista se dedica na realização de editoriais fotográficos, em que busca retratar sua vivência e de seus semelhantes, por meio de captações únicas a fim de traduzir um sentimento que somente quem é consegue transmitir.

Conheça um pouco mais sobre Camilli Miranda, sua história, suas aspirações e concepções.

Fundação Cultural Cassiano Ricardo
Fundação Cultural Cassiano Ricardo

Camilli, como ocorreu seu primeiro contato com a cultura Hip-Hop?

O meu contato com a cultura Hip-Hop foi integralmente em virtude do meu pai, Rone, do grupo Zona Sul MC’S, que desde sempre me trouxe a esse meio através das apresentações dele, em que eu estava presente. Com isso, vieram as influências em relação à maneira de ser, de se vestir e comportar, além das músicas que eu gostava de ouvir. O Hip Hop e em especial o Rap sempre foram muito naturais para mim, fizem parte do meu cotidiano.

Quais são suas inspirações artísticas, desde o começo, até o momento atual?

Como eu disse, conheci o movimento através do meu pai então, para mim, ele é a minha maior inspiração. Mas também tenho referências externas; desde criança ouço os manos e as minas mais das antigas, os clássicos como Racionais, Sabotage, Trilha Sonora do Gueto, Facção Central, Atitude Feminina… E, por ter apenas 17 anos e ter crescido na periferia, acompanhei a ascensão do funk paulista, por isso, tenho como referência alguns grandes nomes do funk como os eternos Daleste, Felipe Boladão e Zóio de Gato. Não só eles, mas a geração mais nova me inspira muito, afinal, é a cena que vivencio. Por eu ser mulher, venho cada vez mais buscando ter mulheres no meio da música como referência. Atualmente, a dupla Tasha e Tracie vem sendo minha maior REF.

Fundação Cultural Cassiano Ricardo
Camilli ao lado do seu pai, também integrante do movimento Hip-Hop. (Fundação Cultural Cassiano Ricardo)

Como você vê que pode fazer a transformação social, seja cantando, tirando fotos ou dando palestras?

Eu acredito que a transformação social se inicia a partir do momento em que eu consigo fazer o outro se enxergar capaz. O meu trabalho como artista e palestrante visa olhar aqueles que são esquecidos, que são colocados à margem da sociedade. Eu gosto de enxergar aquilo que as pessoas não enxergam – que os jovens das periferias possuem sonhos, medos, referências, ambições, frustrações e, através desse olhar, tento repassar às outras pessoas esses sentimentos, afinal, eu sou uma dessas jovens. Eu atuo como apenas como uma única voz, dessas mulhares que são caladas.

De que forma você começou a se interessar pelos registros fotográficos das suas vivências?

Eu comecei a me interessar pela arte da fotografia através do Instagram do @neguinhodefavela16 e da @correrua. Vi que eles têm esse olhar que citei anteriormente, o olhar que registra aquilo que as pessoas não percebem. Me identifiquei com eles e assim comecei a saber mais e ter alguns projetos em mente.

Fundação Cultural Cassiano Ricardo
Fundação Cultural Cassiano Ricardo

E, para finalizar, qual é o legado que a Camilli, artista, quer deixar?

O legado que a Camilli Miranda, como artista, quer deixar, é realmente ser essa referência de que somos capazes de contrariar as estatísticas. Quero continuar tendo respeito na minha quebrada e em outras em que colo, quero que as crianças pretinhas continuem chegando em mim dizendo que gostam do meu cabelo porque é parecido com o delas. Por enquanto, eu sou só mais uma “neguinha” tentando não ser “mais uma neguinha”. Como diz o rapper Leall, eu sou “menos um na estatística”. Espero que isso não se estenda somente a mim. Assim como um dia eu possa inspirar uma pessoa, essa pessoa possa inspirar alguém também. Só assim conseguiremos revolucionar este mundo.

Kauan Mendonça
Kauan Mendonça

Conheça um pouco mais sobre a Camilli Miranda e seus trabalhos em suas mídias sociais:

Instagram: @camilli.miranda

Youtube: https://www.youtube.com/channel/UCg3-Ad0u3GZVHpl3VZ41VGA/

Com supervisão de Yeda Vasconcelos, jornalista do Meon Jovem.

Kauan Mendonça  Lopes
Kauan Mendonça Lopes

2º ano do Ensino Médio - Colégio Embraer Juarez Wanderley - São José dos Campos.

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