Conto: O Espelho
Talvez eu realmente esteja ficando louca

Ganhei um lindo espelho de aniversário de meus pais e o papai disse que o espelho é uma relíquia de família, ele é realmente enorme e muito bonito, talvez seja o presente mais bonito que já ganhei. Mas, algo neste espelho me incomoda, é como se ele me deixasse desconfortável, eu não sei, talvez seja só coisa da minha imaginação, de qualquer maneira jamais poderia chatear o papai dizendo essas coisas para ele.
Segundo dia com este espelho, hoje de manhã quando fui me maquiar tive uma leve impressão, apenas por um segundo de que meu reflexo sorriu para mim, mas isso não seria possível, talvez eu realmente esteja ficando louca.
Quarto dia, temo que algo realmente esteja sorrindo para mim, todos os dias quando me levanto, aquela garota já está lá, me olhando e sorrindo, digo aquela garota porque “aquilo” definitivamente não sou eu. Papai diz ser coisa da minha cabeça, diz que eu tenho que ser grata porque sua mãe, minha avó, disse, especificamente que seu espelho deveria ficar para mim quando ela falecesse, não há nada que eu possa fazer.
Sexto dia, certamente eu estava imaginando coisas, como o reflexo de outra pessoa poderia estar em meu espelho? Impossível! Vovó estava certa em ter um carinho tão grande por esse espelho, ele é belíssimo, e muito útil por sinal. Se chegar perto o bastante poderá enxergar coisas que não verá em nenhum outro espelho.
Décimo dia, temo que terei que dar um jeito no idiota do meu filho, ele certamente suspeita de algo, ontem me fez perguntas tão pessoais que fiquei com vontade de estourar os miolos dele no meio do jantar, sem contar a insistência em deixar está coisa velha em meu quarto, odiaria ter que ver o rosto deprimido de minha neta todos os dias!
Com supervisão de Yeda Vasconcelos, jornalista do Meon Jovem.

2º ano do Ensino Médio - Colégio Univap - Unidade Centro - São José dos Campos
