CRÔNICA: a rua com sobrenome de inseto
O retorno a um lugar que mudou muito depois de anos


Estava eu novamente na velha rua com sobrenome de inseto. Porém, dessa vez era diferente: minha avó não morava mais lá. Ela falecera no começo do ano e quem passou a morar lá era meu tio com sua família.
Ao entrar na casa quase não a reconheci: estava tudo diferente, as portas, os cômodos, os móveis; demorei para assimilar que aquela casa fora uma vez da minha avó.
Enquanto minhas irmãs ficavam melancólicas com as memórias de nossa avó eu ficava perplexo: é engraçado como respeitam os mortos mas não o que fora deles em vida; mas há motivo, uma vez que se não mudasse, aquilo seria inutilizado e seria esquecido da mesma forma.
Além disso, no mesmo dia, também visitei minhas tias que moravam em frente. Cada uma em uma casa no fundo do antigo bar dos meus padrinhos. Era surreal conceber a ideia de alguém morando naquele lugar assustador que servira de depósito para as tralhas que atrapalhavam na minha casa.
No final das contas, é engraçado como as coisas mudaram desde da última vez que fui lá, há dois anos. As memórias da infância dão espaço para a mudança e nos lugares mais “inóspitos” vivem pessoas felizes.
Com supervisão de Giovana Colela, jornalista do Grupo Meon.
3º ano do Ensino Médio - Colégio Embraer Juarez Wanderley - São José dos Campos.
