Figurinhas da Copa de 2022 agitam Brasil e América Latina

Confira a história do álbum

Escrito por: Carmen Vitoria Cursino de Souza4 min de leitura
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O grupo Panini, fundado em 1961, com sede em Modena, na Itália, é o fabricante oficial do álbum da Copa do Mundo de futebol. A empresa é referência no mercado de figurinhas — principalmente para crianças — na Europa e na América Latina, possuindo filiais e distribuidores oficiais em várias partes do mundo.

Desde 1970, a empresa fabrica o álbum onde os colecionadores podem colar as figurinhas de 49 x 65 mm dos atletas das 32 equipes participantes do torneio, além dos estádios, da taça, do mascote e da bola oficial. Ao todo, o livro contém 80 páginas e cada pacote vêm com cinco unidades dos colecionáveis.

A BBC News Mundo solicitou números de vendas à empresa para ter uma dimensão do impacto do negócio, mas não obteve resposta.

O interesse em completar o álbum da Copa do Mundo varia em cada país. “Como a Colômbia não se classificou para a Copa do Mundo, então a febre é menor”, diz o jornalista colombiano Alejandro Millán, da BBC Mundo.

Brasil, Argentina, Equador, Uruguai, México e Costa Rica são os países latino-americanos que disputarão a Copa do Mundo no Catar 2022.

Em algumas ruas e feiras, principalmente em Montevidéu, no Uruguai, barracas são montadas de forma improvisada para trocar as repetidas, e nos intervalos escolares o assunto chama a atenção. Até mesmo alguns pais trocam figurinhas no trabalho em nome dos filhos. Um uruguaio criou um aplicativo para facilitar a troca de figurinhas.

No Brasil, o Procon de São Paulo pediu na semana passada à Panini local informações sobre a distribuição de álbuns e figurinhas após receber 432 reclamações sobre falta dos produtos. Entre outras coisas, a empresa foi consultada sobre o volume de material vendido, preços e prazos de distribuição, bem como as respostas sobre reclamações por falta ou atraso na entrega.

A Panini disse à TV Globo que o tamanho do Brasil apresenta desafios logísticos. A empresa afirma que ampliou as vendas online e acordos com o varejo.

Mas talvez o caso mais marcante tenha acontecido em Buenos Aires, na Argentina. “O que acontece nesta Copa não vi na da Rússia, Alemanha, nem dos Estados Unidos”, afirma à BBC Mundo Claudio Páez, que há 30 anos tem uma banca de revista no bairro de Almagro. Ele diz que os clientes fazem fila e os pacotes e os álbuns de figurinhas se esgotam em poucas horas. “As pessoas estão nervosas, desesperadas”, diz.

O dono da banca acredita que o grande interesse se deve ao fato de que “a seleção argentina gera entusiasmo e há esperança. É um povo que ama muito o futebol, e com a magia proporcionada por Messi a 100%, tudo explodiu”.

Mas reconhece que “é difícil entender este fenômeno porque as pessoas não têm o que comer, estamos vivendo uma situação econômica muito ruim”. A Argentina enfrenta uma crise que culminou numa inflação anual de 71% em julho passado, a maior em 20 anos.

O vice-presidente da associação de donos de bancas na Argentina chegou a pedir que a Panini não comercialize as figurinhas em outros canais. “Alguns compram as figurinhas em grande quantidade [e depois revendem]. Assim, a Panini criou um monstro”, diz Páez.

O preço sugerido de um pacote de figurinhas na Argentina é de 150 pesos (aproximadamente R$ 5,50, no preço oficial), mas, com a falta nas bancas, o valor chega até dobro ou o triplo nos mercados paralelos.

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“Muito caro”

Pode ser que a agitação, a escassez e até os protestos sejam uma característica muito argentina, mas o fenômeno inflacionário dos cromos chega a diversos países.

Na Colômbia, por exemplo, o envelope passou de cerca de 2.000 pesos colombianos (cerca de R$ 2,40) na Copa da Rússia para 3.500 pesos colombianos (R$ 4,14) agora, informa o jornal El Espectador.

No Brasil, cada pacote é vendido por R$ 4, o dobro do que era quatro anos atrás. Isso eleva o custo para completar o álbum, segundo o site da Bloomberg, para R$ 3.865 — uma vez e meia a renda média mensal do país, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Em 2018, um matemático da Universidade de Cardiff, no Reino Unido, calculou que são necessárias 4.832 figurinhas em média para completar todas as páginas.

Com supervisão de Léo Lenzi, jornalista do Meon Jovem.

Carmen Vitoria Cursino de Souza
Carmen Vitoria Cursino de Souza

6º ano do Ensino Fundamental II - Instituto Ideia - São José dos Campos

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