Máscaras: estilo ou proteção?
Além do vírus, a beleza também massacra corpos e almas

Em meio a uma pandemia, é inevitável que aconteçam mudanças de hábitos entre os seres humanos, e assim como foi recomendado pela OMS e pelo Ministério da Saúde, o ideal é que todos utilizem máscaras para a proteção contra o coronavírus.
No entanto, além das modificações básicas previsíveis, a inserção neste novo cenário nos mostra como somos adaptáveis em diversos âmbitos, até mesmo com a criação de um novo padrão de estilos e comportamentos.
Em decorrência dos novos costumes, as máscaras tornam-se um forte marcador social que contribui para manutenção das desigualdades, agora literalmente estampado na face da população.
Tendo em vista os diferentes materiais que compõem cada uma delas, é possível evidenciar uma disparidade de possibilidades e de acessibilidade a bons produtos, assunto guiado, principalmente, pelas questões financeiras. Para além disso, muitas vezes a estética sobrepõe-se ao que realmente importa: um produto eficaz que atenda aos requisitos de prevenção à doença.
Atualmente, as opções de modelos são tão variadas que podem incluir fios de ouro ou, até mesmo, garrafas pet. Todavia, por vezes, o valor não significa qualidade, visto que há casos em que a beleza substitui a segurança necessária a ser desempenhada pela máscara, como a proteção das cavidades bucais e nasais, podendo tornar-se, também, um fator contaminante e gerando um efeito reverso ao desejado.
A questão é que sempre ocorreu de maneira segregacionista e impositiva, por mais implícito que estivesse; o que nos leva ao questionamento: até quando estaremos dispostos a colocar em jogo nossos corpos e bem-estar para suprir os padrões inalcançáveis e cruéis da sociedade?
Status. É em torno disso que rodeamos nossos interesses e, consequentemente, ensinamos nossos filhos a agirem dessa maneira, o que desencadeia um ciclo abrangente e sem fim.
Além do vírus, a beleza também massacra corpos e almas. Mas, há tempos, estamos cegos demais para enxergar isso.
Com supervisão de Nicole Almeida.
Apoio ao Talento:

Aluna do 2º ano do Ensino Médio do Colégio Poliedro, em São José dos Campos
