Matrix
A dependência do consumo em busca de felicidade momentânea nos transforma em pequenas engrenagens movimentadoras de grandes potências

Comprar: o verbo favorito de grande parte da população. Comprar, comprar, comprar… comprar para não sair da moda, comprar para não ficar para trás, comprar para encher a casa e preencher o vazio do coração.
A verdade é que todo o consumismo presente na sociedade atual não passa de uma ideia genial, tida, logo após a segunda guerra mundial, por um analista de vendas chamado Victor Lebow.
Seguindo uma linha de raciocínio muito lógica, deveriam ser estabelecidas condições que estimulassem as pessoas a comprarem cada vez mais coisas, movimentado cada vez mais dinheiro e estimulando cada vez mais a economia, de forma a construir uma sociedade que faz do consumo seu consolo; tornando o consciente tolo.
Aderida e adorada pelos pilares da sociedade capitalista – os diversos tipos de comércio – a ideia de Lebow consistia em fazer do consumo um estilo de vida. E deu certo, basta olhar para a sociedade atual para perceber que, a todo o momento e em todo lugar, somos bombardeados com coisas a serem compradas. Mas não para por aí.
A fim de sustentar sólida e eternamente esse consumismo intenso, foi criada uma técnica chamada obsolescência. Como o próprio nome indica, ela visa tornar os produtos obsoletos, isto é, sem utilidade, dispensáveis, descartáveis, que precisam ser substituídos. Dessa forma, a economia segue girando.
Essa tal obsolescência se faz presente de duas formas: a programada e a perceptiva. Na primeira, os produtos são feitos de forma a estragarem depressa, obrigando-nos a adquirir novos.
Já na segunda, outros agentes entram em ação: o marketing, e, por consequência, toda a máquina social – as pessoas. Atualmente essa técnica se faz muito presente com as redes sociais. Preste atenção no ideal de perfeição que há lá, por muitas vezes intimamente atrelado ao consumo.
A obsolescência perceptiva provoca sensações de insatisfação com os bens que se tem, transformando o desejo em necessidade, o supérfluo em essencial, o dispensável em vital.
É por ela que, de meses em meses, são lançados novos modelos de smartphones com singelas diferenças que parecem gritantes àqueles que ainda não acordaram desse sonho capitalista. E esse é apenas um de tantos exemplos. Aposto que você consegue pensar em algo que comprou recentemente e que não precisava, realmente.
Enquanto uns passam fome, outros gastam com o que não precisam simplesmente pelo prazer de mostrar o que sobra. E compram, compram, compram… compram para manter o status social, compram para mostrar, para postar.
Não que seja ruim se sentir feliz pelo que adquiriu. O problema está em fazer do consumo uma válvula de escape emocional, uma terapia de efeito rápido e nada duradouro: uma droga de uso contínuo e indeterminado.
Essa dependência do consumo em busca de felicidade momentânea nos transforma em pequenas engrenagens movimentadoras de grandes potências.
Paga-se para pagar mais, paga-se para mostrar que se paga, paga-se para existir. Paga-se para sentir, um pouco que seja; paga-se sem saber o porquê. Oferta: paga-se para viver.
É hora de despertar da “Matrix”. Acordemos! Não dá mais para viver assim!
Parceiro:

Com supervisão de Nicole Almeida.
Aluna do 2° ano do Ensino Médio do Colégio Anglo Cassiano Ricardo, em São José dos Campos
