O amor é a cura da humanidade!

Aumente a dose desse sentimento essencial à vida!

Escrito por: Erick Colliselli3 min de leitura
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Você sabe o que é ser trans? O quanto essas pessoas têm dificuldade no dia a dia? Como uma pessoa trans, nessa matéria contarei um pouco da minha experiência e como é a transfobia no Brasil.

Caso você não saiba, uma pessoa trans é alguém que não se identifica com o gênero que lhe foi atribuído ao nascer. Pessoas que não são trans são chamadas de cisgênero, ou só cis. Devemos lembrar que é gênero, e não sexo. É cientificamente comprovado que pessoas trans existem, e que não é só uma fase. Gênero também não tem nada a ver com sexualidade. Identidade de gênero é como a pessoa se vê, como ela se sente consigo mesma, já sexualidade é a forma como ela ama outras pessoas.

Mesmo com a sociedade começando a aceitar mais as variadas sexualidades que existem, ela ainda tem muita dificuldade de aceitar pessoas transgênero. Só em 11 de fevereiro de 2022, quando publicada a 11ª versão do CID-11, Classificação Internacional de Doenças da OMS, a transexualidade parou de ser tratada como uma doença, após 28 anos sendo considerada como tal, e sim uma condição como as de qualquer outro ser humano, sendo classificada agora como “incongruência de gênero”.

Mesmo tendo leis contra transfobia, ela ainda é muito presente na nossa realidade. O Brasil é o país que mais mata pessoas trans no mundo pelo 13° ano consecutivo, tendo o maior número de assassinatos de mulheres trans e travestis desde 2008, quando esses dados começaram a serem registrados. Em 2021, ocorreram 140 assassinatos de pessoas trans no Brasil, sendo 135 vítimas mulheres trans ou travestis e 5 homens trans e pessoas transmasculinas.

Eu, pessoalmente, vivo em uma situação muito boa, meus familiares e amigos me apoiam e tentam sempre entender, dispostos a aprender. Infelizmente essa não é a realidade de todas as pessoas trans no Brasil. Mesmo estando em uma bolha muito boa, ainda é difícil pra mim. Muita gente escuta, mas simplesmente ignora tudo o que você diz e te trata de um modo extremamente desconfortável, como se falassem que você não sabe de nada e devia “voltar a ser normal”. Acham que é bobeira, ridículo e que um dia essa fase vai passar. Mas não é uma fase, é quem a pessoa é.

A sociedade ainda não está pronta pra lidar com pessoas diferentes do padrão, e vemos isso de vários jeitos. Até hoje temos pessoas que apoiam o nazismo, acreditam nisso?

Mas, a cada dia que passa, vejo que as redes sociais, mesmo espalhando muitas mentiras e difamações, também estão educando melhor as pessoas, e elas estão aprendendo e parando de reproduzir a transfobia e ideias relacionadas que a sociedade nos ensina desde cedo. Isso dá uma esperança que, talvez, em um futuro não tão distante, espero eu, possamos viver um mundo que você possa ser você mesmo, desde que não prejudique, machuque ou ofenda outra minoria.

Com supervisão de Isabela Sardinha, jornalista do Meon Jovem.

Erick Colliselli
Erick Colliselli

9º ano do ensino fundamental - Instituto Ideia - São José dos Campos

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