Poema: As eternizadas

Mulher brasileira na literatura é eternizada

Escrito por: Ingrid Vitória Latanzi Silva4 min de leitura
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A mulher comum ao mesmo tempo sofisticada

A mulher frágil ao mesmo tempo misteriosa

A mulher meiga ao mesmo tempo selvagem

A mulher inocente ao mesmo tempo sensual

A mulher sonhadora ao mesmo tempo amargurada

A mulher compreensiva ao mesmo tempo revolucionária

Essa é a mulher brasileira que na literatura é eternizada.

A linda Aurélia moça pobre e recatada,

Outrora rica e desinteressada.

A garota dócil e iludida,

Que se tornou calculista e vingativa.

Porém Fernando, seu amado, não compreendia

Aonde foi parar aquele encanto de menina?

Mas o que ele não percebia é que ela era

Senhora de si, cheia de faces e mistérios,

Empoderada e intensa

E sua essência de mulher brasileira

Esteve sempre ali.

Além disso, há a complexa Capitu

Que possuía os olhos de ressaca, de cigana obliqua e dissimulada

Mulher inteligente, sobretudo atraente

Independente e resignada.

O enigma do Brasil.

Traiu ou não traiu?

Mas Bentinho era inseguro,

Possessivo e imaturo,

Tinha ciúme até do mar

Logo, quem é o leitor para questionar?

Capitu é uma mulher brasileira

Que vê tudo o que acontece,

E ainda assim é a autora da sua própria história.

E também há aquela que criou uma trajetória,

Que marcou a infância para gravar na memória.

Emília a boneca gente.

Com uma pílula falante encantou a todos

Com sua voz estridente.

Ela que acabou com estereótipo de boneca frágil e delicada

Para dar início a uma original e complicada

Tagarela, intrometida, elétrica e forte,

É uma boneca que intriga muita gente

E com seu pensamento crítico,

Enlouquece o pobre do Visconde

Mas o que faz ela ser tão diferente?

Dentre tantas outras Emília é uma mulher brasileira

Que traz em essência o poder de deixar todos sorridentes.

Bem como também há a inconfundível Gabriela

Que traz consigo muito cravo e canela

Ela que exala beleza e sensualidade,

Baiana arretada que deseja liberdade

Ousada e justa,

Simples e ingênua

Abala toda a classe da sociedade.

Moça humilde, mas rica de si.

Gabriela foge dos padrões.

Menina morena, moleca sem maldade

Mulher brasileira, que fugindo da seca

Tornou-se grapiúna porreta

E do seu jeito único encantou Necib,

Com seu cheiro de cravo e cor de canela.

Sem esquecer da preciosa Ana Terra

Gaúcha de garra e feroz

Símbolo de fortaleza do seu tempo atroz.

Mulher obstinada de coração infeliz

Mulher brasileira,

No período da imperatriz

Moça teimosa

Que em tempos de guerra

Adotou uma metáfora de vida

Ana parteira querida.

Ela era símbolo de esperança.

Mesmo com tanta dor,

De perder o seu grande amor,

Em seu interior

Ainda tinha a confiança

Que o vento traria a sua bem aventurança.

Mas ainda há a mulher contemporânea

Sofia Alonzo que com um celular

Nem o tempo foi capaz de segurar.

Acostumada com a modernidade,

Foi parar em um mundo onde não havia liberdade.

Do século vinte um, passou para o dezenove.

Ela muito querida encantou

Todo aquele povo esnobe.

Teimosa e muito espirituosa

Sofia, mulher brasileira, impetuosa e orgulhosa

Moça independente e envolvente.

Ah! Assim foi inevitável

Ian ficou logo enfeitiçado.

Olhando suas pernas desnudas, foi chamado de tarado

Mas o amor foi de pronto chamado

Ela com seu jeito doido e ele todo engomado.

Trabalhadora e bagunceira,

Atravessou as barreiras do tempo

Para ficar a vida inteira.

E por fim a inesquecível Macabéa

Moça corajosa, que foi para capital

Em busca de uma vida prodigiosa

Ela queria liberdade

Viver intensamente

Mulher brasileira, ingênua e esperançosa

Se agarrou na Cartomante

E acabou desgostosa.

Despertada da realidade

A verdade logo surgiu, moça pobre, inocente

Que acabou num simples acidente.

Macabéa sonhadora, pensava que era tolice

Mas em seu peito exibia

A verdadeira mensagem deixada por Clarice.

“Já que sou, o jeito é ser”!

Assim são elas

Cada uma extremamente bela

Calada e tagarela,

Doce e singela

Tão iguais no entanto diferentes

Mas a sua essência não é ocultada

E a verdade é ali, bem estampada,

Mulher brasileira na literatura é eternizada.

Parceria:

Com supervisão de Nicole Almeida, jornalista do Grupo Meon.

Ingrid Vitória Latanzi Silva
Ingrid Vitória Latanzi Silva

Aluna do 3° ano do Ensino Técnico em Administração - Colégio Univap - Unidade Centro - São José dos Campos

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