Poema: As eternizadas
Mulher brasileira na literatura é eternizada

A mulher comum ao mesmo tempo sofisticada
A mulher frágil ao mesmo tempo misteriosa
A mulher meiga ao mesmo tempo selvagem
A mulher inocente ao mesmo tempo sensual
A mulher sonhadora ao mesmo tempo amargurada
A mulher compreensiva ao mesmo tempo revolucionária
Essa é a mulher brasileira que na literatura é eternizada.
A linda Aurélia moça pobre e recatada,
Outrora rica e desinteressada.
A garota dócil e iludida,
Que se tornou calculista e vingativa.
Porém Fernando, seu amado, não compreendia
Aonde foi parar aquele encanto de menina?
Mas o que ele não percebia é que ela era
Senhora de si, cheia de faces e mistérios,
Empoderada e intensa
E sua essência de mulher brasileira
Esteve sempre ali.
Além disso, há a complexa Capitu
Que possuía os olhos de ressaca, de cigana obliqua e dissimulada
Mulher inteligente, sobretudo atraente
Independente e resignada.
O enigma do Brasil.
Traiu ou não traiu?
Mas Bentinho era inseguro,
Possessivo e imaturo,
Tinha ciúme até do mar
Logo, quem é o leitor para questionar?
Capitu é uma mulher brasileira
Que vê tudo o que acontece,
E ainda assim é a autora da sua própria história.
E também há aquela que criou uma trajetória,
Que marcou a infância para gravar na memória.
Emília a boneca gente.
Com uma pílula falante encantou a todos
Com sua voz estridente.
Ela que acabou com estereótipo de boneca frágil e delicada
Para dar início a uma original e complicada
Tagarela, intrometida, elétrica e forte,
É uma boneca que intriga muita gente
E com seu pensamento crítico,
Enlouquece o pobre do Visconde
Mas o que faz ela ser tão diferente?
Dentre tantas outras Emília é uma mulher brasileira
Que traz em essência o poder de deixar todos sorridentes.
Bem como também há a inconfundível Gabriela
Que traz consigo muito cravo e canela
Ela que exala beleza e sensualidade,
Baiana arretada que deseja liberdade
Ousada e justa,
Simples e ingênua
Abala toda a classe da sociedade.
Moça humilde, mas rica de si.
Gabriela foge dos padrões.
Menina morena, moleca sem maldade
Mulher brasileira, que fugindo da seca
Tornou-se grapiúna porreta
E do seu jeito único encantou Necib,
Com seu cheiro de cravo e cor de canela.
Sem esquecer da preciosa Ana Terra
Gaúcha de garra e feroz
Símbolo de fortaleza do seu tempo atroz.
Mulher obstinada de coração infeliz
Mulher brasileira,
No período da imperatriz
Moça teimosa
Que em tempos de guerra
Adotou uma metáfora de vida
Ana parteira querida.
Ela era símbolo de esperança.
Mesmo com tanta dor,
De perder o seu grande amor,
Em seu interior
Ainda tinha a confiança
Que o vento traria a sua bem aventurança.
Mas ainda há a mulher contemporânea
Sofia Alonzo que com um celular
Nem o tempo foi capaz de segurar.
Acostumada com a modernidade,
Foi parar em um mundo onde não havia liberdade.
Do século vinte um, passou para o dezenove.
Ela muito querida encantou
Todo aquele povo esnobe.
Teimosa e muito espirituosa
Sofia, mulher brasileira, impetuosa e orgulhosa
Moça independente e envolvente.
Ah! Assim foi inevitável
Ian ficou logo enfeitiçado.
Olhando suas pernas desnudas, foi chamado de tarado
Mas o amor foi de pronto chamado
Ela com seu jeito doido e ele todo engomado.
Trabalhadora e bagunceira,
Atravessou as barreiras do tempo
Para ficar a vida inteira.
E por fim a inesquecível Macabéa
Moça corajosa, que foi para capital
Em busca de uma vida prodigiosa
Ela queria liberdade
Viver intensamente
Mulher brasileira, ingênua e esperançosa
Se agarrou na Cartomante
E acabou desgostosa.
Despertada da realidade
A verdade logo surgiu, moça pobre, inocente
Que acabou num simples acidente.
Macabéa sonhadora, pensava que era tolice
Mas em seu peito exibia
A verdadeira mensagem deixada por Clarice.
“Já que sou, o jeito é ser”!
Assim são elas
Cada uma extremamente bela
Calada e tagarela,
Doce e singela
Tão iguais no entanto diferentes
Mas a sua essência não é ocultada
E a verdade é ali, bem estampada,
Mulher brasileira na literatura é eternizada.
Parceria:

Com supervisão de Nicole Almeida, jornalista do Grupo Meon.
Aluna do 3° ano do Ensino Técnico em Administração - Colégio Univap - Unidade Centro - São José dos Campos
