Poema: Bolha
“Era uma vez, um mundo não tão distante, cheio de pessoas em aquários …”

Me perguntaram como vai o mundo,
Aqui no meu aquário ou no dos vizinhos?
O meu vai ótimo,
Procuro o que gosto, só o que gosto,
Nem olho para os lados, prefiro estar sozinho,
Só com o que prezo,
Essa paz, não tem preço
Já imaginou sair da água e levar tapa na cara?
O meu mundo é mais contente, vivo bem sem essa gente,
Mas sem querer o vidro quebra e eu afogo,
Os peixes nadam todos agitados,
Eu fico tonto, atordoado,
Falta ar fora do aquário,
Levo um chute, fico esfolado
Entrei numa briga com um sujeito todo esquentado,
Me disse que o mundo não era meu aquário,
Ah, que cara otário!
De repente o mundo começa a girar de um jeito esquisito,
Desaba,
Cai,
Não sobra mais nada,
Alguns me disseram que aqui fora os peixes passam fome,
como?
Se de onde eu vim todo mundo come.
Uma senhora disse que pede dinheiro pra comprar comida,
Já no meu aquário tem de sobra faço estoque e ainda chamo visita,
Dizem que aqui é um corre pra viver, no meu se corro é por puro lazer,
Lugar estranho,
Me faz desaparecer,
Estou perdido, não sei onde me esconder,
Quanto mais escuto, mais quero fugir,
Tampo os olhos e os ouvidos
Finjo que não ouvi,
Encontro um novo aquário,
É confortável aqui,
Ah, que sonho ruim…
(Deixe que se afoguem ali)
Com supervisão de Yeda Vasconcelos, jornalista do Meon Jovem.

2º ano do Ensino Médio - Colégio Embraer Juarez Wanderley - São José dos Campos
