Poema: Lira de Morte

Aos corpos frios, aos mórbidos amados, aos gélidos cadáveres descalços, ao meu corpo que, assim como eles, também irá descascar junto à cova nos funestos vitrais de lama.

Escrito por: Miguel Medina1 min de leitura
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Naquele caixão padecem todas as coisas que fiz,

todas as memórias, preservadas em verniz,

por aqueles em volta do caixão.

No meu túmulo,

jaz minha raiva em acúmulo,

toda beleza, toda dor,

todo medo, cada horror,

de se viver.

Na necrópole do meu ser,

jaz todas as coisas que não fiz,

todas as memórias que não quis,

todos os sonhos que esqueci de sonhar.

Aqui nesse túmulo,

jaz toda vida perdida,

toda flor encardida,

que deixei de amar.

Aqui neste meu cadáver,

tem todo o ar,

que nunca mais vou respirar,

tem toda a fúria,

de uma alma vazia,

sozinha,

que se esqueceu de como abraçar.

Aqui nestes meus, meus vermes,

tem todas as vidas,

não vividas,

que aguardam por mim.

Famintas.

Com supervisão de Yeda Vasconcelos, jornalista do Meon Jovem.

Miguel Medina
Miguel Medina

1° ano do Ensino Médio do Colégio Embraer - Juarez Wanderley, em São José dos Campos

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