Poema: Ponto final da Charrua

Versos sobre a questão indígena

Escrito por: Otto Bernardo Coutinho Lima2 min de leitura
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A promessa de um paraíso

No imaginário, um ideal

Trouxeram do horizonte

Titãs sob água e sal

Terra firme se gritou

Vista a um povo diferente

O que Cabral chamou de novo

Prévio lar de muita gente

Surgia a ponta de um novo trato

Ouro nativo, fortuna inestimável

E o aborígene em manto casto

Cedeu-lhe abrigo, tornado em pasto

Para um animal indomesticável

Com sua arrogância lamentável

Logo tornou sua nova morada

Em seu império inabitável

De nativo só lhe interessa o ouro

E o pau-brasil para exportação

O que é demais é brasido em chama

Lado a lado à população

Logo aquilo que pintava um trato

Se revelou assombração

E tudo aquilo que era “mato”

Pro lusitano virou recreação

Mesmo após séculos passados

Continua a perseguição

O animal dito indomável

Com sua fome insaciável

Consome árvore, transforma em mato

As páginas da Constituição

Aqueles que dizem zelar

Pela família brasileira

Em sua tirania desordeira

Assolam o que dela restou

Pedem papel e escritura

Cobram do nativo a usura

Do que é dele por direito

E o respeito se apagou

Resta então pergunta última

Frente ao planalto central

Do povo que mostra garra

Movimento colossal

Estará seu rico lar

seu verde florestal

submisso à derradeira

ação da brasa terminal?

Com supervisão de Yeda Vasconcelos, jornalista do Meon Jovem.

Otto Bernardo Coutinho Lima
Otto Bernardo Coutinho Lima

2º ano do Ensino Médio - Colégio Embraer Juarez Wanderley - São José dos Campos.

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