Poema: Ponto final da Charrua
Versos sobre a questão indígena

A promessa de um paraíso
No imaginário, um ideal
Trouxeram do horizonte
Titãs sob água e sal
Terra firme se gritou
Vista a um povo diferente
O que Cabral chamou de novo
Prévio lar de muita gente
Surgia a ponta de um novo trato
Ouro nativo, fortuna inestimável
E o aborígene em manto casto
Cedeu-lhe abrigo, tornado em pasto
Para um animal indomesticável
Com sua arrogância lamentável
Logo tornou sua nova morada
Em seu império inabitável
De nativo só lhe interessa o ouro
E o pau-brasil para exportação
O que é demais é brasido em chama
Lado a lado à população
Logo aquilo que pintava um trato
Se revelou assombração
E tudo aquilo que era “mato”
Pro lusitano virou recreação
Mesmo após séculos passados
Continua a perseguição
O animal dito indomável
Com sua fome insaciável
Consome árvore, transforma em mato
As páginas da Constituição
Aqueles que dizem zelar
Pela família brasileira
Em sua tirania desordeira
Assolam o que dela restou
Pedem papel e escritura
Cobram do nativo a usura
Do que é dele por direito
E o respeito se apagou
Resta então pergunta última
Frente ao planalto central
Do povo que mostra garra
Movimento colossal
Estará seu rico lar
seu verde florestal
submisso à derradeira
ação da brasa terminal?
Com supervisão de Yeda Vasconcelos, jornalista do Meon Jovem.

2º ano do Ensino Médio - Colégio Embraer Juarez Wanderley - São José dos Campos.
