POEMA: Saudade
Uma carga de sentimentos

Segundo o dicionário,
saudade
é o “sentimento melancólico devido ao
afastamento
de uma pessoa, uma coisa ou um lugar, ou à
ausência
de experiências prazerosas já vividas”.
Floresce do latim “solitatem”
(solidão),
vêm as formas “soidade” e “soudade”,
que são influenciadas por “saúde” e “saudar”,
daí nasce a palavra atual.
Saudade.
Palavra complexa, carrega e transborda
sensações e significados,
de difícil tradução para outros idiomas.
Eu li que é a sétima mais difícil,
segundo uma lista feita por
uma empresa britânica e
mais de mil tradutores.
Não tem sinônimo definido,
não dá para substituir
por uma só palavra.
Saudade.
Junção de neurotransmissores,
de mãos dadas,
dançando em ritmo variado,
ora MPB, ora pop,
ora rock, ora reggae,
ora jazz, ora samba,
ora todos os sons juntos,
ora apenas piano,
ora apenas violão,
ora apenas baixo,
ora apenas bateria,
ora apenas vozes à capela.
Versos misturados,
palavras sobrepostas,
estrofes fora de ordem,
leitura turva.
Girassol que cresce vagarosamente no campo,
Girassol que insiste em crescer e brota no asfalto.
Às vezes, a falta do que
os olhos não vêem e
o coração sente.
Às vezes, a falta do que
os olhos vêem,
mas o coração não sente.
Saudade.
A arquibancada,
um álbum,
um texto,
um livro,
uma peça,
um carrossel,
um mar,
um céu,
as janelas,
um feriado,
um pastel,
um filme,
melodrama ou não.
Quadro Verde do Rubel,
e também os quadros meus.
Azul, roxo, amarelo e vermelho.
Paralelepípedo,
porcelana,
piche.
São Luiz do Paraitinga,
São José dos Campos,
São Paulo.
O ônibus viajando até a
Eugênio de Melo.
2019,
Fevereiro de 2020,
15, quase 16.
Saudade.
No fone,
Olivia Rodrigo, Beatles, Lagum e MC Tha.
Em dezembro, a Chuva.
Em março, o Sol.
Em junho, a Lua.
No rádio do carro,
o Made in the A.M.
e o Midnight Memories.
Nas segundas, terças, quartas, quintas, sextas e, às vezes, nos sábados,
as nove flores.
E todo o resto do jardim.
Saudade.
Sete letras.
Ditongo.
“Sentimento melancólico devido ao
a f a s t a m e n t o
de uma pessoa, uma coisa ou um lugar,
ou à ausência
de experiências prazerosas já
vividas”.
Eu ia escrever um texto informativo,
com uns quatro parágrafos
e conectivos bonitos,
mas não dá.
Saudade é poesia
que só cabe no poema.
E olhe lá!
Quase não cabe no poema.
Saudade.
Com supervisão de Giovana Colela, jornalista do Grupo Meon.
3° ano do Ensino Médio, Colégio Embraer Juarez Wanderley, São José dos Campos-SP
