
A Sacerdotisa
À noite
Ando pela orla de mim,
Procurando por meus pedaços perdidos.
Vejo a dualidade
Dos pilares do mundo
Com olhos de bola de cristal.
Banho-me em luz da lua,
E em seu mistério cósmico,
Caminho entre a luz e a escuridão
Do mundo e de mim.
Marcelina
Marcelina
É pôr do sol encarnado
É música em forma humana
É forja de poesia
É soberana das artes.
Marcelina
É safira dos sete mares
É olhar de esmeralda
É ouro do alvorecer
É coração de rubi.
Marcelina
É estrela vésper
É alma de supernova
É toque de brasa
É sangue de fogo.
Marcelina
É verbete de amor.
Áries
É natureza selvagem
É olhar de incêndio
É canção de fogo
É faísca de espírito
É brasa de ser
É corpo volátil
É alma ardente
É amor em chamas
Não há respostas
Eu me pergunto
Por onde você anda.
Se seu cabelo ainda continua
Como um longo emaranhado
De raios de sol.
O que você fez com aquela flor
Que comprou para mim
Mas nunca me deu.
Se você ainda vive
De ficção científica
E café.
O que você fez
Com aquela jóia
Que eu te dei
Quando nos despedimos
Naquele corredor.
Se você ainda despeja
Seu coração em palavras
Naquele velho caderninho azul.
Se você ainda faz palavras cruzadas
Como eu faço poesia.
Se você ainda vai
Ao parque perto de casa
Todo domingo de manhã
O que você fez com a sua coleção
De cacos do meu coração.
Com supervisão de Giovana Colela, jornalista do Meon Jovem.
Colégio Poliedro, São José dos Campos, SP
