Por que nos beijamos?
Entenda a ciência e as possíveis origens do beijo humano

Ele é o tema principal de muitas canções. A respiração fica mais forte, o coração bate mais rápido, os pés saem do chão e as pupilas dilatam. Provavelmente todo mundo sabe que o beijo na boca, ou o “beijo romântico”, é uma ação que envolve o contato entre os lábios das pessoas por um período de tempo que pode variar muito, mas poucos sabem das origens e dos benefícios, desse ato – quase – exclusivamente humano.
O antropólogo Vaughn Bryant diz que o beijo estimula, principalmente, três sentidos, que são: o tato, pois o ser humano tem mais terminações nervosas nos lábios do que em qualquer outro lugar do corpo com exceção de algumas partes dos órgãos genitais, o paladar, já que cada pessoa possui um gosto único, e o olfato. Nesse sentido, também é possível identificar algumas funções que o beijo pode fornecer, como o auxílio na seleção de parceiros românticos e o fortalecimento do vínculo afetivo entre casais.
Esses fenômenos são possíveis pela intensa troca de informações químicas e táteis no momento do beijo, as quais liberam hormônios como a ocitocina e a serotonina. Assim, o sistema de recompensa do cérebro liberara o neurotransmissor que produz a sensação de prazer – caso o beijo esteja bom – conhecido como dopamina. O estado de euforia, agitação e satisfação ocasionados pelas reações advindas de um simples beijo pode levar, futuramente, as pessoas a um relacionamento romântico.
Segundo Sheril Kirshenbaum, autora do livro “A ciência do beijo”, existem diversos motivos e origens que justificam o porquê dos seres humanos se beijarem. Na infância, por exemplo, quando somos beijados pelos nossos pais e parentes no geral, ou até mesmo quando utilizamos os nossos lábios na amamentação, o nosso cérebro começa associar esses contatos com emoções positivas, como amor e o sentimento de segurança. Esses acontecimentos consolidam o beijo, ao longo da vida humana, como algo positivo e desejado.
Não é possível saber ao certo quando foi dado o primeiro beijo da história, mas as primeiras evidências de algo parecido com o beijo vêm de 2500 a 3500 anos atrás, em alguns dos primeiros textos da civilização védica. De acordo com essas escrituras, os indianos antigos, do norte do país, cheiravam uns aos outros, passando o nariz na frente das bochechas da outra pessoa, e movendo o rosto em direção ao outro lado, com o intuito de sentir o aroma produzido através das glândulas sebáceas localizadas na área abaixo dos olhos. Durante esse ato, em algum momento, lábios podem ter se tocado acidentalmente, acarretando em uma opção mais interessante do que apenas cheirar uma pessoa. Entretanto, também existe a hipótese que o surgimento do beijo foi a partir da forma de alimentar os bebês; os cuidadores pré mastigavam os alimentos e davam para as crianças pelo contato entre as bocas, assim como as aves.
Antigamente, em muitos lugares, beijar era considerado nojento. Diversas culturas tinham o hábito de cuidar de suas bocas, mas no geral as pessoas não tinham o cuidado diário com os dentes, não existia fio dental, enxaguante bucal e pasta de dente. Desse modo, essas pessoas buscavam outros tipos de conexão, como abraçando, cheirando, tocando e interagindo com o corpo do outro.
A cultura romana pode ser a primeira a quebrar esse paradigma, sendo realmente considerada como “beijoqueira”. Os romanos tinham vários tipos de beijos, e um deles era o “Savium”, nome que é remetido ao que conhecemos como “saliva”, podendo ser associado ao que conhecemos hoje como “beijo de língua”.
Embora seja um ato muito comum no Brasil nos dias de hoje, o beijo na boca para algumas culturas não é visto como algo romântico ou sexual. De acordo com um estudo publicado no American Anthropologist em 2015, 54% de 168 culturas admitiram não reconhecer o beijo como algo romântico, e em alguns casos, repudiando totalmente a ideia de tal ato.
A maior parte dos animais também não são “chegados” na ideia de beijar, uma exceção desse fato são os Bonobos, uma espécie de chimpanzés, que encostam os lábios e línguas nas bocas de outros bonobos de uma forma parecida com a dos seres humanos. Todavia, o beijo nesse caso está mais ligado à conciliação ou ao fortalecimento do vínculo entre os animais da espécie.
Apesar das controvérsias, o beijo é, para muitas pessoas, um agente importante para o fortalecimento dos laços humanos, além de estimular a produção de hormônios e neurotransmissores que nos fazem manter nossas principais relações e emoções. Esse ato é milenar, parte da história humana, e pode resumir e demonstrar muito do que sentimos. É claro que enquanto beija, você não pensará nem ao menos uma vez sobre as origens ou o porquê dessa ação, mas é muito interessante conhecer a história dessa prática que se tornou tão natural nos dias de hoje.
Com supervisão de Yeda Vasconcelos, jornalista do Meon Jovem.

2° Série - Colégio Embraer Juarez Wanderley - São José dos Campos, SP
