Relacionamentos em filmes adolescentes: uma reflexão

A maneira como as relações amorosas e familiares são retratadas é realista?

Escrito por: Carolina Quadros Motta Bastos5 min de leitura
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Todos já assistimos filmes adolescentes, sejam eles, musicais, comédias, dramas ou thrillers. Eles apresentam, assim como na vida real, relacionamentos, podendo ser românticos, entre pais e filhos, entre amigos ou entre pessoas que não se gostam.

O problema é que, no geral, essas relações são retratadas de maneira errônea ou não realista. Não me leve a mal, eu amo filmes adolescentes, e adoro todos aqui citados, mas é importante refletirmos sobre algumas coisas para que não as levemos para nossas vidas. Eu não estou falando de casos específicos, mas, sim, sobre o usual, dos filmes e da vida real.

Relacionamentos entre pais e filhos

Há duas principais formas de retratar seus relacionamentos.

A primeira é retratar os dois como melhores amigos, pessoas que sempre se entendem e se apoiam. Lara Jean e Dr. Covey, em “Para Todos os Garotos que Já Amei”, é um bom exemplo. Também há a Mia e a Helen Thermopolis, em “O Diário da Princesa” e Ângela e Malu, em “Fala Sério, Mãe!”. Normalmente isso vem de uma experiência conjunta que trouxe os dois juntos. Nos dois primeiros filmes citados, a morte do outro progenitor, e no filme nacional, a traição do pai.

A segunda forma, bem mais comum, é fazer os dois não se entenderem, para no final do filme se amarem. O modelo é simples, com um pai restritivo e/ou superprotetor e um filho rebelde. Um bom caso é a Ariel e o Reverendo Shaw, em “Footloose”, que no início do filme sempre discutem e não concordam com o que o outro faz ou fala, mas no final há uma forma maior de entendimento entre os dois, e eles até dançam! Anna e a Tess Coleman em “Sexta Feira Muito Louca” são outro exemplo.

A vida real, no entanto, não é tão isso ou aquilo. As pessoas são diferentes, tem dias e momentos diferentes. É normal você não se rebelar contra tudo que seus pais te dizem ou fazem, mas ao mesmo tempo não tê-los como seus melhores amigos para quem você conta tudo.

Pais podem ser restritivos e superprotetores em certas ocasiões e liberais em outras. A vida real não é 8 ou 80. Está tudo bem se pais e filhos brigarem às vezes. Está tudo bem se acontecer uma coisa ruim na vida e a relação deles não for fortificada por isso.

Relacionamentos amorosos

São os que mais existem em filmes adolescentes. A história, com algumas variações, também costuma seguir um modelo.

Em filmes felizes é, na maioria das vezes, seguido os padrões cis-heteronormativos. Garoto conhece garota, eles viram amigos ou se apaixonam, tem uma coisa que dá errado para no final dar tudo certo. É assim em, por exemplo, “10 Coisas que Eu Odeio em Você”, em que Kat e Patrick se apaixonam, ela descobre sobre o acordo e eles terminam, mas no final voltam e fica tudo bem. Também é assim no clássico “Grease”, mas com Sandy e Danny, e no já citado “Para Todos os Garotos que Já Amei”.

A alternativa, usada normalmente em filmes dramáticos, é a morte de algum personagem. Duas pessoas, normalmente com seus problemas pessoais, que se conhecem e se ajudam, até que uma delas morre e a outra passa a apreciar mais a vida. É assim em “A Culpa é das Estrelas”, em que Hazel e Gus se conhecem em um grupo de apoio para jovens com câncer, se apaixonam, mas infelizmente o garoto é levado pela doença. Essas histórias realmente são bonitas, ensinando que há algo além do sofrimento.

O que é um padrão é que os personagens principais acham o amor da vida deles, ou um grande amor, no Ensino Médio, o que não é predominantemente realista. Muitas pessoas nem chegam a namorar nessa época de suas vidas, e com esses filmes podem achar que estão fazendo algo errado. Mesmo se namorarem, será que duas pessoas não podem apenas se conhecer, ter um bom relacionamento, e só se separarem ou se afastarem? Os relacionamentos não dão sempre certo, e não é necessário um grande evento para casais terminarem.

Relacionamentos entre irmãos

Ou se amam incondicionalmente ou se odeiam. Não há um meio termo, e nem uma mescla dos dois. Na vida real, pelo menos entre as pessoas que convivo, é normal irmãos estarem brigando aos gritos em uma hora, e cinco minutos depois estarem rindo juntos de alguma coisa. É normal quando um deles está mal, o outro ou consolá-lo ou irritá-lo, ou fazer os dois ao mesmo tempo. Também há irmãos que apenas não se conhecem direito, só convivem porque são de uma mesma família.

De qualquer modo, como já disse antes, são todos filmes que eu gosto. Modelos de relacionamentos estão aí porque funcionam – as pessoas gostam de ver amores dando certo, pessoas melhorando, pai e filha se entendendo. Só é importante nos policiarmos para não seguirmos ou nos frustrarmos com eles em nossa vida, já que, na maioria das vezes, eles não funciona assim. Relacionamentos têm seus altos e baixos, têm camadas, têm começos e finais. O importante é mantê-los saudáveis e conseguir desapegar deles quando não são mais.

Parceria:

Com supervisão de Nicole Almeida, jornalista do Grupo Meon.

Carolina Quadros Motta Bastos
Carolina Quadros Motta Bastos

Aluna do 3° ano do Ensino Médio do Colégio Embraer - Juarez Wanderley, em São José dos Campos

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