Texto: Perdidos
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Eu queria um monstro. Eu queria uma tragédia maior que a minha, queria livrar-me do que me continha e queimar minha rédea. Queria deixar de acreditar que estou sonhando. Você riria de mim agora, sorriria desdenhando, comentando afora o quão perdido estou.
Me amortece, não me perde.
Eu queria escrever-lhe um poema. É o que faço quando me desespero. Teria meu ordinário traço vagado tua mente? Não… Você não iria se conter e me faria uma cena, uma peça que já espero. E então, sou teu cenário, derrotado, imprudente, inesperado.
Me machuca, me perco.
Eu queria ser salvo. Mas não quero que seja meu herói. Se tão fácil fosse, por que um mero sorriso doce em minha presença se corrói? Sei o que minha alma almeja, pecadora digna dessa sentença, e mesmo em vão, frágil e temerosa, se deixa consumir em teu olhar ágil e se entrega a tua maldição.
Aceitamos, nos perdemos.
Eu queria ser mais. Apenas um estímulo ínfimo pra lhe provar do que sou capaz. Mas você já sabe…reviram-se pequenas mentiras soberbas, gentileza infernal que me provoca. E meu olhar te suplica, por favor, me toca! Mal sinto o latejar cômodo enquanto temo teu deixar como se fosse o meu abandono.
Me machuca, não te perco.
Eu queria ser forte. Trazer na pele o mapa dessa tragédia como amuleto de sorte, com ousadia assumo meu porte, frágil, e entretenho teu prazer sádico a cargo, estampando um empenho obsoleto. Minha força é não temer a morte. É um ímpeto mal pensado, é aceitar sua mão e compor esse dueto, alucinado, delirante, perturbado.
Marcamos, nos perdemos. Eu queria… Eu queria não amar esse fardo. Queria estar contigo sem ser tua âncora e não me sentir insolente nesse curso árduo. Não te ver como ferido, mas como restaurado, não te ver como auge quando está cansado. Não te ter como meu quando está perdido… E te imploro, mente! Insulta, reclama, me sente! Tua falta grita a minha mente insana, e suplico, até que tua farsa me envolve e teu olhar me engana. Te faço responsável, prendendo-nos assim em uma cela instável, eu a você e você ao chão. Meu conter te põe à margem sendo que almeja a imensidão.
Então foge.
Desespero-me e teu instinto me implica… “Deixa”. Mas é com teu ascender que sinto minha queda.
Fecho os olhos. E penso. Me amortece, não me perde. Me machuca, me perco. Aceitamos, nos perdemos. Me machuco, não te perco. Marcamos, nos perdemos.
Desisto… me perdi.
Com supervisão de Isabela Sardinha, jornalista do Meon Jovem.

3° ano do Ensino Médio - Colégio Poliedro - São José dos Campos
